Edição de Terça-Feira, 15 de Abril de 2003
 
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Política

ACM depõe no Conselho de Ética hoje

Senador baiano preparou texto para se defender das acusações de envolvimento nos grampos irregulares

BRASÍLIA - O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) está disposto a ir hoje ao Conselho de Ética para rebater as acusações de seu suposto envolvimento no caso dos grampos telefônicos ilegais na Bahia. Ele preparou um documento com sua defesa, que deverá ler aos integrantes do colegiado, se não mudar de idéia e preferir enviá-lo por escrito aos senadores. Domingo, o senador passou o dia no Senado, trancado em seu gabinete, recebendo visitas apenas de deputados próximos. A maioria dos seus aliados, comentou o senador José Agripino (RN-PFL), o aconselha apenas a enviar sua defesa por escrito. "O senador garante ao partido que tem bons argumentos para todas as acusações contra ele", afirmou Agripino. Para ele, porém, a defesa por escrito evitaria maiores constrangimentos para o senador.

  Há 13 dias, os jornalistas Luiz Cláudio Cunha e Weiller Diniz, da revista Isto É, foram a Conselho e apontaram o senador como o mandante da escuta clandestina. Sua ex-namorada, a advogada Adriana Barreto, e o marido, PlácidoFaria, também o acusam do crime, além dos deputados baianos Geddel Vieira Lima (PMDB), Nélson Pellegrino (PT), e do ex-deputado Benito Gama (PMDB).

  José Agripino mantém sua opinião contrária a ida de Antônio Carlos Magalhães. "Ao enviar um depoimento substantivo, forte, ele poderia responder as questões, evitando constrangimentos, fraturas expostas de relacionamento e brilharecos desnecessários", ponderou.

  Nos últimos dias, o líder do PFL conversou com os integrantes do Conselho, sondando as reações sobre a hipótese de o senador baiano não comparecer ao depoimento, enviando-lhes apenas um documento escrito. Agripino disse não ter sentido "resistências irrecuperáveis ou desgastes intransponíveis" diante dessa possibilidade. "A maioria se manifestou contra sua ida. Mas ele quer ir", disse Agripino.

  A vontade de Antonio Carlos coincide com a opinião do líder do governo, senador Aloízio Mercadante (PT-SP): "Se ele não comparecer, o maior prejudicado será ele mesmo, dado que o Conselho dispõe de provas documentais do envolvimento dele no episódio dos grampos", argumentou Mercadantes.

  O relator do caso, Geraldo Mesquita (PSB-AC), afirmou que a presença ou a ausência do senador não afetaria o mérito de suas conclusões, mas lembrou que senadores com dúvidas poderiam não ficar satisfeitos e Antonio Carlos, prejudicado. Mesquita confirmou que pretende apresentar seu relatório no dia 22. O relator da comissão de sindicância disse ter ouvido que ACM pode apresentar um atestado médico, hoje, para não ir à audiência, e admite que é possível o senador baiano comparecer apenas para ler sua defesa.

  Se prevalecer a decisão tomada na última sessão do Conselho, o depoimento de Antonio Carlos encerra essa fase, afastando a idéia de convocar Adriana para depor. A decisão sobre o futuro de ACM deve sair no dia 22 e, de acordo com Mesquita, não haverá panos quentes em o seu parecer. "Eu não vou contribuir com um milímetro para que isso termine em pizza", disse.








 

 
 
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