Edição de Quarta-Feira, 2 de Abril de 2003
 
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Patrocínio da Eletrobrás pode salvar Série B

REUNIÃO

Representantes da Futebol Brasil Associados (FBA), entidade que negocia contratos de patrocínio para a Série B, têm uma reunião decisiva hoje na sede da CBF, no Rio do Janeiro. A FBA, que reúne a grande maioria dos participantes da Segundona, tenta conseguir formas de viabilizar a ameaçada competição - seu início já foi adiado para o próximo dia 18. Uma das saídas poderá ser passar o chapéu pelo Governo Federal.

  A FBA está negociando um patrocínio da Eletrobrás, que usaria a Segundona como propaganda para um programa de combate ao desperdício de energia elétrica. "A proposta foi bem aceita, mas está esbarrando em alguns empecilhos", disse o diretor financeiro da FBA, José Cabral. Segundo ele, as verbas de comunicação da estatal foram enxugadas devido ao corte no orçamento feito por Lula, no início deste ano - parte dessa verba irá para o programa Fome Zero.

  Além de patrocínio, o projeto prevê ainda descontos na compra de ingressos da Série B aos consumidores que conseguirem economizar de acordo com determinadas metas controladas pelas concessionárias de energia. Um projeto de publicidade contra a dengue também foi oferecido ao Ministério da Saúde. "Não estamos pedindo dinheiro, mas oferecendo um negócio de comunicação", afirmou Cabral.

MILHÕES - Mas tudo isso depende de a FBA conseguir negociar a transmissão da Segundona na TV aberta. "Só voltaremos a nos reunir com o Governo, quando estiver definido quem irá transmitir a Série B", disse José Cabral. A questão é delicada, já que a Rede Globo e o SBT não conseguem se entender, além de estarem jogando pesado para ter, sobretudo, a exclusividade dos jogos do Palmeiras. Sentindo-se disputado, o Verdão resolveu pagar para ver. O Palmeiras está exigindo agora R$ 6 milhões para participar da competição - fora os milhões que já teria direito por pertencer ao Clube dos 13.

  A exigência foi ironizada pelo presidente da FBA, Peter Silva. Ele disse que a Série B pode até ser cancelada este ano por causa disso. "Se não houver dinheiro das TVs e o Palmeiras continuar pressionando por cotas irreais, não faremos o campeonato", advertiu. Para ele, o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, não percebeu ainda que a possibilidade de virada de mesa é nula, pois a Série A já começou. "Se não jogar com a gente, não poderá subir para a Série A."

  A confusão preocupa os pernambucanos. "Não se pode cancelar uma competição por causa de um clube", disse o diretor de futebol do Sport, Wanderson Lacerda. Segundo ele, está havendo um mau entendido. " O Palmeiras não pode ganhar tudo isso, pois receberia mais que clubes da 1ª Divisão", argumentou.

  As negociações para o televisionamento tomaram corpo no dia 11 de março, quando a TV Globo resolveu desistir do acordo que estava firmado há dois meses e que garantia os R$ 30 milhões que Peter Silva acha necessário para viabilizar o campeonato. O SBT aceitou pagar R$ 8,5 milhões e procurar, entre seus anunciantes, quem garantisse os R$ 10 milhões das passagens, o que viabilizaria o campeonato. A FBA soube, porém, que a Globo ofereceu R$ 5milhões para a exclusividade com o Palmeiras, atropelando a negociação com o SBT.








 
 
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