Ode quase bíblica
A João Paulo II, cujas imagens foram mostradas ao Mundo, orando pela Paz , a mirar o Juízo Final, no teto da Capela Sixtina, pintado por Michelângelo Poetas, é preciso falar a Gog, príncipe de Mosoc e de Tubal!
Podres estão os frutos da vinha de Baal-Hamon e eis que é chegado o tempo do Dragão anunciado pelos profetas.
Cantemos a copiosa luz dos corações e a paz, a paz cantemos, que não há beleza nos monumentos em chamas, em meninos evaporados no vórtice das bombas apocalíticas, nos esqueletos cobertos de sono e cal.
Cantemos a paz das estrelas altíssimas, e a paz na Terra, a paz querida pelas mães cujos filhos irão lutar: viver é o maior bem da Vida a Morte o mais pesado dos males!
Não cantemos a paz armada, ofertada pelos canhões, pelos tanques e foguetes balísticos, that false peace
That masquerades between the troughs of seas
Deceives in the silence earthquakes, or the lull
Between atomic bombs.
Ai de nós!
Os barbitúricos já não limitam o desespero da Terra.
Montanhas se povoam de centauros e portoda a paisagem noturna há mísseis, morteiros e canhões desafiando as estrelas com suas bocas de ferro.
Cantemos a paz, não cantemos a paz de cinzas - que é triste - a paz dos mausoléus, a paz ofertada pelo Dragão aos meninos de Hiroshima e Nagasaki.
... Peace is the pull
Towards the motion of tree, star and stone,
The contented rhythm of the child at the nipple...
Poetas, perdoai as rudes notas deste canto:
- é que ouço um pranto escuro,
o escuro choro do planeta,
porque todos são filhos da Terra,
lutam obrigados a combater,
e combatendo irão morrer.
Choram as mães e não lhes ofereço o mistério de meu canto porque os olhos são portas por onde saem fluindo da memória os recordos mais tristes. Choram:
Deixai-as chorar os filhos - modernos guerreiros do Oriente as sombras do Mal se aproximam do Planeta sacrificado a um século recém-nascido, pleno de asas, bombas, disparos e baionetas.
Que retornando aos meus abrigos secretos como quem foge aos punhos de um bombardeio ouço o estalar de granadas em minhas arquiteturas cardíacas.
Cantemos a paz, rogada por João Paulo II
aspera tum positis mitescent saecula bellis,
(e os séculos futuros viverão sem guerras)
Desce o petardo e se abre em flor na rua,
o vento entra no mar, o chão afunda,
desabam os céus a luz ao Sol recua
empalidece a Terra, moribunda
E cresce o turbilhão, na carne funda
avança em letal fogo a chama nua,
a desintegração dissolve a Lua
treme a treva tremenda e se aprofunda
entre os gomos de luz esfacelados
nas ilhotas dos sóis despedaçados
bestas relincham! Rubra, no horizonte,
cresce a mão do Demônio e esmaga o Mundo,
caem as águas do mar no abismo fundo,
murcha a luz, seca a flor, o vento, a fonte.
Cantemos a paz das estrelas.
O vôo do sol erguido sobre o porto o lento crescimento dos arbustos a luz descida nas montanhas, mas não louvemos a paz do Dragão, a paz dos Rosemberg carbonizados na elétrica tortura.
É preciso crer na paz - tranqüila em sua esperança altiva em sua vontade.