Edição de Segunda-Feira, 17 de Março de 2003
 

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As energias do Brasil

A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou, em Paris, uma análise crítica sobre o setor de energia elétrica e outras formas de energia da América Latina, com ênfase no caso brasileiro. O Brasil foi posto em destaque pelo fato de se constituir no maior mercado energético do Continente, com excelente potencial de crescimento. Tece comentário a respeito da matriz-energética brasileira, cuja estrutura deverá ser melhorada nos próximos anos graças ao melhor aproveitamento das fontes alternativas e, sobretudo, do gás natural.

  Depois de trinta ou mais anos de discussões com a Bolívia para a aquisição de uma parte substancial do gás natural do altiplano, foi assinado afinal o contrato de participação da Petrobras na exploração do gás em apreço. A empresa nacional procedeu à concorrência para a construção do gasoduto Bolívia-Brasil, fê-lo construir e o está operando com inegável êxito técnico. As "linhas " do gás boliviano chegaram aos pontos do território brasileiro previstos no projeto de expansão industrial do Sudeste, mas, com a recente crise do câmbio, os compradores em potencial do combustível em parte se retraíram, porque o custo de produção com ele foi ficando desfavorável.

  Mas, apesar do contratempo, é significativo observar que a América Latina aparece para a Agência como a região do Mundo mais dinâmica em termos de gás natural. Não é somente a Bolívia que é promissora. A Argentina possui vastas reservas dele e as está explorando a seu modo. A Venezuela e o México, grandes produtores de petróleo em escala mundial, também o são do gás natural. E o Brasil, a partir da Bacia de Campos, litoral do estado do Rio de Janeiro, já se prepara para utilizar em escala industrial o gás do subsolo marítimo naquela área do Sudeste.

  Os técnicos internacionais advertem o Brasil no sentido de uma definição melhorada de sua política energética que harmonize, sobretudo, as três maiores fontes de que se serve, o petróleo, o gás natural e a energia elétrica. Essas fontes principais que abastecem o País da energia indispensável ao processo econômico e bem-estar social são hoje administradas por duas agências autônomas que parecem trabalhar uma de costas para a outra. Elas precisam harmonizar políticas e horizontes, para que se possam evitar, com segurança, problemas da magnitude daquele que se abateu sobre o País no segundo semestre de 2001. Nessa harmonização, atenção cada vez mais acentuada deverá ser atribuída ao desenvolvimento da utilização do gás natural pelo parque industrial do País. O próprio setor da energia elétrica deverá dispender esforços no sentido de que se incremente, onde for possível, o uso do gás natural para a produção de eletricidade, participando, assim da contribuição que nisto têm a ver o óleo combustível e as fontes hidráulicas.

  Mas a chave para que estas portas se abram parece estar com as autoridades bolivianas, que têm resistido a sair do dólar como moeda de pagamento, o que tem elevado os custos do comprador, desestimulando-o a sair da energia elétrica ou do óleo combustível. Daí que, desde queo gasoduto Santa Cruz de la Sierra-Corumbá está em operações, a compra do gás boliviano pelo Brasil é uma fração inexpressiva do potencial acordado entre ambos os vizinhos.








 

 
 
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