Edição de Quarta-Feira, 12 de Março de 2003
 
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Artes cênicas e Música perdem coordenações

Fundaj

Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO

Se a Fundação Joaquim Nabuco já tinha uma fraca atuação no meio teatral, essa lacuna passa a ser oficial com a extinção da Coordenação de Artes Cênicas da instituição, corte que estava entre os determinados pelo Ministério da Educação para a entidade. A diretoria, segundo Isabela Cribari, que vai assumir a direção do Instituto de Cultura da Fundaj, foi dissolvida junto com a Coordenação de Música e Projetos Especiais. "A área teatral não será abandonada e merece uma atenção especial", promete Cribari, "mas temos que reorganizar a estrutura administrativa interna do instituto e cuidar de projetos em andamento em outras áreas".

  Lúcia Machado, que já trabalhou na coordenação dos respeitados cursos de formação de ator promovidos pela instituição, considera "impossível levar adiante projetos na área sem uma pessoa especializada em teatro para coordená-los". Ela acha a notícia "lamentável", e também aplica esse adjetivo à extinção dos cursos (o último aconteceu há três anos) e à inutilização do Cineteatro José Carlos Cavalcanti Borges, que hoje é conhecido como Cinema da Fundação, por não receber mais espetáculos teatrais.

  A produtora cultural Paula de Renor concorda com a colega e acha "imprescindível a presença de especialistas em cada área da cultura trabalhando na instituição e essa extinção apenas prova que o teatro era uma apêndice menos importante lá dentro". Isabela Cribari, contudo, trabalha com a possibilidade de em breve convidar alguém do ramo para trabalhar na instituição e, por enquanto, pretende ouvir a classe e receber propostas e sugestões de projetos.

parcerias - O diretor teatral Antônio Cadengue reconhece que "a extinção do cargo não significa necessariamente o fim das políticas para a área. A diretoria já estava morta. O cineteatro, por exemplo, foi paulatinamente sendo posto de lado. A extinção dessa coordenação é natural". Para ele, a Fundação Joaquim Nabuco pode levar adiante novos projetos por meio de parcerias com outras instituições, como a própria Fundação de Cultura do Recife, naqual trabalha como diretor de ações culturais.

O Cineteatro José Carlos Cavalcanti Borges não possui condições estruturais para receber montagens teatrais. O espaço não tem dimensões de palco apropriadas, carece de equipamentos adequados (principalmente de iluminação) e apresenta problemas de acústica, alguns deles ocasionados pela proximidade com as dependências utilizadas para a produção de vídeo na Massangana Multimídia, localizada abaixo da sala.

  Segundo Silvana Meireles, que está deixando a superintendência do Instituto de Cultura, já existe um projeto de reforma para o cineteatro pronto, mas ele precisa de verbas para ser posto em prática. Elaborado pelo cenógrafo J.C. Serroni, o documento prevê mudanças nas poltronas, na inclinação da platéia e nos sistemas de acústica e iluminação, entre outros.

  Ela conta que os recursos necessários chegaram a ser viabilizados em 2001 com a aprovação de uma emenda proposta pelo então deputado federal Pedro Eugênio, mas um corte de gastos do Ministério da Cultura engavetou o projeto, que já encontra-se nas mãos de Isabela Cribari. A nova dirigente revelou que já pediu a Serroni a atualização dos valores da reforma e que pretende colocá-la em prática por meio de recursos externos a serem captados.

Comentários dos leitores

"Acho que, aproveitando a onda das demissões, quem deveria sair seria o coordenador de música da cidade do Recife, Zé da Flauta. Aquela entidade esta prejudicando a cena cultural pernambucana, que já não vai muito bem.", Juliana, por e-mail.








 

 
 
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