Fundaj
Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
Se a Fundação Joaquim Nabuco já tinha uma fraca atuação
no meio teatral, essa lacuna passa a ser oficial com a extinção da Coordenação
de Artes Cênicas da instituição, corte que estava entre os determinados
pelo Ministério da Educação para a entidade. A diretoria, segundo Isabela
Cribari, que vai assumir a direção do Instituto de Cultura da Fundaj,
foi dissolvida junto com a Coordenação de Música e Projetos Especiais.
"A área teatral não será abandonada e merece uma atenção especial",
promete Cribari, "mas temos que reorganizar a estrutura administrativa
interna do instituto e cuidar de projetos em andamento em outras áreas".
Lúcia Machado, que já trabalhou na coordenação dos respeitados cursos
de formação de ator promovidos pela instituição, considera "impossível
levar adiante projetos na área sem uma pessoa especializada em teatro
para coordená-los". Ela acha a notícia "lamentável", e também aplica
esse adjetivo à extinção dos cursos (o último aconteceu há três anos)
e à inutilização do Cineteatro José Carlos Cavalcanti Borges, que hoje
é conhecido como Cinema da Fundação, por não receber mais espetáculos
teatrais.
A produtora cultural Paula de Renor concorda com a colega e acha "imprescindível
a presença de especialistas em cada área da cultura trabalhando na instituição
e essa extinção apenas prova que o teatro era uma apêndice menos importante
lá dentro". Isabela Cribari, contudo, trabalha com a possibilidade de
em breve convidar alguém do ramo para trabalhar na instituição e, por
enquanto, pretende ouvir a classe e receber propostas e sugestões de
projetos.
parcerias - O diretor teatral Antônio Cadengue reconhece que "a extinção
do cargo não significa necessariamente o fim das políticas para a área.
A diretoria já estava morta. O cineteatro, por exemplo, foi paulatinamente
sendo posto de lado. A extinção dessa coordenação é natural". Para ele,
a Fundação Joaquim Nabuco pode levar adiante novos projetos por meio
de parcerias com outras instituições, como a própria Fundação de Cultura
do Recife, naqual trabalha como diretor de ações culturais.
O Cineteatro José Carlos Cavalcanti Borges não possui condições estruturais
para receber montagens teatrais. O espaço não tem dimensões de palco
apropriadas, carece de equipamentos adequados (principalmente de iluminação)
e apresenta problemas de acústica, alguns deles ocasionados pela proximidade
com as dependências utilizadas para a produção de vídeo na Massangana
Multimídia, localizada abaixo da sala.
Segundo Silvana Meireles, que está deixando a superintendência do
Instituto de Cultura, já existe um projeto de reforma para o cineteatro
pronto, mas ele precisa de verbas para ser posto em prática. Elaborado
pelo cenógrafo J.C. Serroni, o documento prevê mudanças nas poltronas,
na inclinação da platéia e nos sistemas de acústica e iluminação, entre
outros.
Ela conta que os recursos necessários chegaram a ser viabilizados
em 2001 com a aprovação de uma emenda proposta pelo então deputado federal
Pedro Eugênio, mas um corte de gastos do Ministério da Cultura engavetou
o projeto, que já encontra-se nas mãos de Isabela Cribari. A nova dirigente
revelou que já pediu a Serroni a atualização dos valores da reforma
e que pretende colocá-la em prática por meio de recursos externos a
serem captados.
Comentários dos leitores
"Acho que, aproveitando a onda das demissões,
quem deveria sair seria o coordenador de música da cidade do
Recife, Zé da Flauta. Aquela entidade esta prejudicando a cena
cultural pernambucana, que já não vai muito bem.",
Juliana, por e-mail.