Vício pode ser eliminado com o uso conjunto de várias técnicas
Cleide Galdino
DA EQUIPE DO DIARIO
O Instituto Nacional do Câncer (Inca), entidade do Ministério da Saúde responsável pelas ações de combate à doença no País, está desenvolvendo um estudo com 1.200 fumantes para descobrir quais as formas mais eficazes de tratamento para eliminação do vício do cigarro. A razão é simples, o tabaco é responsável por 90% dos cânceres de pulmão e é fator de risco para outros oito tipos de câncer (boca, laringe, faringe, pâncreas, rins, bexiga, cólo de útero e esôfago). Segundo dados da Organização Panamericana de Saúde (Opas), o cigarro mata por ano 200 mil pessoas no Brasil e 4 milhões no Mundo (OMS).
A pesquisa, que será concluída apenas em dezembro, começou a apresentar resultados parciais em um grupo específico de 26 idosos fumantes. Utilizando métodos de abordagem cognitiva comportamental (quando o especialista estimula o paciente a parar de fumar através de conversas), em associação com adesivos para reposição de nicotina, além da abstinência absoluta de cigarro, o Instituto constatou que 81% dos voluntários pesquisados deixaram de fumar no primeiro mês do tratamento.
De acordo com a chefe da Divisão de Estudos do Tabaco do Inca, Silvana Rubano, através da abordagem cognitiva, o paciente passa a entender a sua relação com o cigarro e aprende a enfrentar, de maneira positiva, as dificuldades para abandonar o vício. "Ele descobre, por exemplo, os segredos de como lidar com uma eventual recaída", explica. O tratamento conta também com exercícios respiratórios e outras dinâmicas. "Estamos definindo ainda quantas sessões da abordagem cognitiva são necessárias em todo o processo. Por enquanto, estão sendo realizadas quatro", adianta.
A maioria dos fumantes pesquisados (73%) começou a fumar antes dos 20 anos de idade e cerca de 61% apresentavam alto grau de dependência. Parte do grupo (15%) recebeu apenas a abordagem comportamental. O restante, passou pela abordagem e recebeu os adesivos de nicotina. "Os que usaram o adesivo tinham mais tendência a ter recaída", observa Silvana.
Na opinião do pneumologista Blancard Torres, do Hospital das Clínicas da UFPE, o acompanhamento médico é fundamental em qualquer forma de tratamento do fumante. "Especialmente quando há indicação para prescrição de medicamentos", diz. Ele explica que nos casos graves, quando ocorre a síndrome de abstinência com sintomas muito assentuados, é necessária a aplicação de antidepressivos. Os sinais da síndrome são irritabilidade, diarréia, vômito, dor de cabeça, insônia, falta de concentração, entre outros.
Segundo a coordenadora estadual do Programa de Controle do Tabagismo, Maria das Graças Galvão Maciel, o Centro Eulâmpio Cordeiro, que dá assitência a dependentes, faz tratamento de fumantes há dois anos. Ela adiantou que a intenção é capacitar mais profissionais de saúde em todo o Estado para atender a demanda de pacientes.
Serviço
Centro Eulâmpio Cordeiro: 3228.3200