Sentimento do mundo é o compromisso do artista Evaldo Araújo
Reunir a História do Universo em 40 quadros é a proposta do artista plástico estreante Evaldo Araújo, que faz sua primeira exposição, com abertura na segunda-feira, no Centro Cultural Francisco Tavares de Bragança, na Universidade Católica. Apesar de soar pretensiosa, a idéia do artista diz mais respeito a um sentimento pessoal do que à busca por teorias sobre a evolução universal. "Não atendo padrões ou exigências, apenas pinto o que gosto. Não tenho compromisso com a ciência ou a realidade, se é que ela existe", confessa com humildade o pintor.
Feitos com acrílica sobre tela, os quadros estão montados na exposição de acordo com a evolução cronológica da natureza. Os primeiros mostram as galáxias, o sistema solar e a Terra. Depois, Evaldo mostra a água e os seres vivos marinhos. O animais terrestres e as aves vêm em seguida e o percurso da mostra termina com uma série de vegetais. O artista explica que nenhum dos seres foi retratado com fidelidade formal. "Recrio os animais na minha cabeça. Muitos não parecem com nenhum bicho existente", explica.
Evaldo não quis incluir os seres humanos e seus instrumentos em sua escala evolutiva, assim como também faz questão de só mostrar imagens harmoniosas da natureza. "Me sinto mal em ver a degradação retratada em obras. Acho que a arte é uma forma de entretenimento e reflexão que deve ser sempre agradável, inclusive para o artista, que não deve se preocupar com estéticas ou mercado", opina.
"O Sol e alguns planetas possuem bilhões de anos e ainda estão com sua forma pouco alterada. Aqui, os seres humanos só precisaram de poucos mil anos para destruir a Terra", resmunga, demonstrando que o objetivo principal de seu trabalho é alertar contra os problemas ambientais. A natureza (não necessariamente nordestina), portanto, é a maior inspiração dessa sua primeira mostra. Nas próximas, ele pretende explorar o folclore e as brincadeiras populares.
Serviço
Brasil Ecológico, exposição de Evaldo Araújo
Quando: Abertura na segunda, às 19h
Onde: Espaço Cultural Francisco Tavares de Bragança, na Unicap (Rua do Príncipe, 526, Boa Vista)
Quanto: Entrada franca