A expressão já virou até título de um programa de canal pago, o GNT. Se para nós, que não estamos diante de câmeras, enfrentar uma saia justa no dia-a-dia é complicado, imagina para quem tem o compromisso de manter a pose diante do público? Cada um reage de um jeito: com discrição, outros botando o dedo na própria ferida ou saindo pela tangente.
Apresentadora do De Frente com Gabi, do SBT, a veteraníssima Marília Gabriela ensina a quem quiser se aventurar na profissão: "Normalmente peço desculpas, ou mudo de assunto". Foi o que ela fez quando entrevistou o ator Jack Palance logo depois de ele ter ganhado o Oscar de ator coadjuvante em 1992, por Amigos, Sempre Amigos. Palance estava simpaticíssimo e falante antes de começar a gravar o bate-papo. Mas quando a câmera foi ligada, ficou monossilábico. Marília ficou desesperada. Mas manteve a diplomacia. "Parei e disse: - Olha, você me desculpa, mas se continuar assim não vai dar. Você estava tão falante antes e agora está dando respostas evasivas. Ele mudou, gravamos e a entrevista foi ótima", conta.
Sem palavras mesmo ficou Bernardo Cabral durante uma entrevista a Amaury Jr. no auge do episódio com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello. Com esta experiência, o apresentador ensina que, para lidar com monossilábicos, o bom mesmo é oferecer a oportunidade de defesa. "Perguntei a ele: - Senador, o que há de exagero nessa história? Foi o suficiente para ele contar sua versão", lembra.
Jogo de cintura não pode faltar a nenhuma receita para escapar de situações desconcertantes. Mas, e quando este ingrediente falta? Apresentando o Sabadaço ao vivo, todos os sábados, na Bandeirantes, Gilberto Barros recomenda uma boa dose de simplicidade nestes casos, para não desandar o programa. "Se dou um fora, olho para a câmera e digo: - Ih, estraguei tudo. Dou risada, peço desculpas e acaba a saia justa", diverte-se.
Pior é quando o convidado, geralmente um anônimo, troca o nome do apresentador. "Já me chamaram de Faustão, de Ratinho... Olho para os lados e pergunto se é comigo.E quando me chamam de Leão Lobo digo que o meu bicho é outro", brinca o Leão Gilberto Barros, que terá um programa, misturando games e show.
Serginho Groisman mantém a elegância e a discrição. Afinal, no Altas Horas, da Globo, ele divide a função de entrevistador com a platéia. "Depende muito da circunstância, mas tento não aprofundar esses mal-estares", diz. Exemplo clássico de como Serginho sai pela tangente numa saia justa é aquele em que Maguila, ao ser perguntado qual seu estado físico e mental antes de uma luta, respondeu: "Aracaju, Sergipe".
"Várias pessoas ficam nervosas. É preciso saber administrar isso".