Trunfos de Suape
Pernambuco jamais se acomodou ante as dificuldades que se antepunham ao seu destino. Agora mesmo, ante notícias desfavoráveis que admitiam o adiamento sine die da contribuição venezuelana à concretização do projeto da grande refinaria de petróleo, em Suape, em razão dos problemas político-administrativos que ora enfrenta a Venezuela e sua empresa petrolífera, o governador do Estado, como que indiferente a esses formidáveis obstáculos, vai a Brasília pegar o touro à unha, ou seja, vai direto ao Governo federal para dizer-lhe que não abre mão do empreendimento e, quiçá, da contribuição federal.
O fundamento oficial da visita de Sua Excelência aos principais mandatários da República foi a entrega da cópia autêntica do Protocolo de Intenção recém-firmado entre o Governo estadual, o grupo teuto-brasileiro Renor e o representante da empresa petroleira da Venezuela, que entrará com a tecnologia de ponta necessária ao projeto. O Protocolo fixa o prazo de alguns meses para que se definam os nortes essenciais da iniciativa, de que é exemplo a preferência da área de Suape para sítio privilegiado de implantação da refinaria nordestina. De fato, nenhum ponto geográfico semelha Suape na aptidão que os anos lhe deram para sediar empreendimentos do porte de uma refinaria de petróleo destinada a processar coisa de 200 mil barris/dia de petróleo bruto. Nenhum tão bem localizado, quando se consideram as eqüidistâncias que guardam entre si o Recife e as outras capitais da Região,o que será de ponderar no momento em que se venha a tratar, sob o critério aí soberano do custo, da distribuição intra-regional dos subprodutos refinados em Suape. A logística de Suape é, no caso, impecável, pois não atestam outra coisa as isoietas locacionais disponíveis. As gavetas da Petrobras estão cheias das pertinentes informações.
Mas a história da implantação de um refino petrólico no Nordeste Oriental tem sido um jogo de empurra-empurra que não se pode mais alongar. Nas ocasiões em que os pareceres técnicos apontavam na direção de Suape como a melhor solução dentre as demais opções imaginadas, alguém metia na discussão final a colher neste caso malfazeja da política: tal solução desagrada este governador, este veredito diminui qual Estado, aquele ponto de vista mais cria problemas que reúne soluções, e assim por diante. Foi assim até agora, a falsa política que melhor tacharíamos de politicalha de interesses miúdos, paroquiais, a impedir o desenvolvimento regional, não só o progresso de Pernambuco, como por igual o bem-estar dos estados co-irmãos.
Uma refinaria como a que se desenha instalada em Suape, graças às implicações naturais da economia em projeto de tal magnitude, é capaz de alcançar as demais províncias regionais, beneficiando-as com o efeito multiplicador e germinativo inerente a projetos com as características que se conhecem. Só empreendimentos como uma usina siderúrgica de porte, uma montadora de automóveis, um estaleiro de grande capacidade se lhe comparam quanto à criação de emprego e renda. Há 54 anos Pernambuco sonha o empreendimento. Há meio século se vem preparando para tê-lo dentro de suas fronteiras. Não se destrói tão demorado sonho de um povo inteiro, nem se desampara ambição justa e merecida de uma população que se cuidou, que se adestrou, como nenhuma outra, para a batalha.