Edição de Domingo, 9 de Fevereiro de 2003
 
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Agamenon

Nudistas graças a Deus

Agamenon gosta muito de freqüentar praias de nudismo onde é comum as mulheres andarem com as pererecas de fora

Depois de shapear o meu visual num spa de segurança máxima em Mauá, conforme escrevi na semana passada, finalmente concluí que estava com meu corpo definido - definido que é essa porcaria mesmo e pronto. Assim sendo, resolvi exibir minhas pelancas e adiposidades em toda sua plenitude. Por isso eu e a Isaura, minha patroa, embicamos na direção de uma praia de nudismo no Nordeste - o famoso balneário selvagem de Porto das Vadias, que fica um pouco depois de Porto de Galinhas e antes de Porto dos Cornos, a praia predileta dos maridos das mulheres que freqüentam Porto das Vadias.

A primeira preocupação de quem vai passar as férias numa praia de nudismo é arrumar as malas. Você fica na maior dúvida do que não vai levar na bagagem. Na verdade, a mala é a única coisa que você não pode deixar de levar para uma praia de nudismo. Além de uma rolha, é claro, para evitar que tatuís curiosos se metam na sua vida privada.

Modéstia à parte, a minha mala não é nenhuma Louis Vuitton, mas também não chega a ser uma dessas maletas vagabundas onde não cabe nada. Dentro. Está aí mesmo a Isaura, a minha patroa, que não me deixa mentir nem falar a verdade. Até o Enéas, meu cunhado esquisitão, teceu loas à minha matula e ficou entusiasmado com minha bagagem de mão. E olha que o Enéas entende do assunto, já que na sua juventude irresponsável carregava a mala do Antônio Pitanga e do Long Dong Silver, famoso personagem mitológico do folclore popular brasileiro assim como Saci, o Curupira e a Mula Sem Cabeça e que anda sumido. Onde terá se enfiado o Long Dong Silver?

Depois de 72 horas num ônibus da São Geraldo, onde só pude me acomodar no banheiro, onde a passagem é mais barata, cheguei na aprazível localidade do Porto das Vadias. Para me aclimatar à filosofia naturista viajei nu e, assim que cheguei, não tive dificuldade de me registrar no hotel, pois todo mundo podia ver meus documentos. Imediatamente saímos em direção da Praia do Mastruço, enquanto Enéas, excitadíssimo, foi encontrar uns amigos na Praia do Perôba. Mulher dada e comunicativa, a Isaura, a minha patroa, imediatamente fez amizade com um nativo local, Helmut von Esselbach, rude e rústico pescador miserável. O miserável pegou a minha mulher e botou numa canoa (a Isaura, é claro) e só me devolveu a pobre criatura três dias depois, toda assada. Deve ter sido o excesso de sol.

Mas eu também não dei mole. Livre, solto e muito nuzão, fui curtir a paisagem tropical daquela praia inóspita onde ninguém era de ninguém. Alemães rosados como camarões passavam o dia untando mulatas e caboclas com óleo de canola para não aumentar o colesterol. O balneário nudista mais parecia uma churrascaria rodízio humana e eu acho que desempenhava o papel de cupim. Por mais que eu me oferecesse ninguém queria me comer.

AGAMENON MENDES PEDREIRA é nudista de fim-de-semana








 

 
 
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