Primeiros sintomas são irritação e coceira no bico e auréola do seio, mas com o passar do tempo podem surgir feridas, secreções e fortes dores
Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO
Tipo raro de câncer de mama - sua incidência é de apenas um caso para cada cem mulheres vítimas de tumores malignos no seio - a doença de Paget vem recebendo uma atenção especial por parte dos oncologistas que lançam um alerta à população feminina acima de 35 anos. Irritação na área do bico e da auréola, vermelhidão e coceira permanente podem representar, segundo os especialistas, muito mais do que um simples processo alérgico. Eles aconselham, nos casos em que os sintomas não respondam à medicação tópica num prazo de dez dias, que as mulheres procurem imediatamente um mastologista, já que o diagnóstico tardio pode levar ao comprometimento de toda a mama, além do surgimento de metástase nos ossos, pulmão, fígado e cérebro.
O problema, facilmente confundido com uma dermatite ou reação alérgica ao sutiã, muitas vezes engana até os dermatologistas, além de provocar uma certa negligência nas mulheres, que insistem em remediar a lesão por conta própria, através do uso de pomadas antialérgicas. O mastologistaAntônio Figueira Filho explica que inicialmente a sintomatologia é simples, mas com o passar do tempo a mulher pode apresentar feridas de grandes proporções, eliminação de secreção e até dores fortes. "Como a doença de Paget pode ou não estar associada a um tumor maligno na parte interna da mama, o diagnóstico correto e o rápido tratamento são fundamentais, aumentando as chances de cura", enfatiza.
Evolução - Antônio Figueira explica que no estágio inicial, o tratamento mais indicado é a remoção do quadrante central da mama, seguido de sessões de radioterapia. Já nos casos em que a doença de Paget evoluiu para a formação de tumores na área interna do seio, deve-se fazer uma mastectomia total, com posterior tratamento químio e radioterápico. "Há ainda casos onde o comprometimento é maior, sendo necessária a retirada de grande parte do tecido das axilas, podendo a reconstrução mamária ser realizada de forma imediata, sem grandes traumas psicológicos para a mulher", ratifica.
Centro de referência no tratamento de diversos tipos de tumores malignos no Norte e Nordeste, o Hospital do Câncer de Pernambuco tem registrado cerca de cinco casos da doença de Paget num universo de 500 novos diagnósticos anuais de cânceres de mama. O Mastologista Jaime Queiroz ressalta que a realização de mamografias e biópsias é fundamental para que se possa confirmar a existência ou não do problema. "Só após esta confirmação e a certeza da extensão do comprometimento da mama é que se pode realizar o tratamento, que pode ser conservador, assegurando a manutenção da mama, ou mais radical, dependendo da paciente,", diz.
Alerta - Ex-portadora da doença de Paget, a aposentada Ana Maia, 55 anos, revela que por mais de seis meses conviveu com uma lesão no bico do seio direito sem que nenhum medicamento conseguisse sará-lo. Só após uma consulta de rotina ao mastologista foi que o problema pode ser diagnosticado e tratado a tempo. "Fiz uma pequena cirurgia para a remoção da área central do seio, que foi imediatamente reconstituída. Após trêsmeses de sessões de radioterapia, fui considerada curada e hoje faço exames regularmente, sem que tenha havido reincidência", comemora.
Serviço
Antônio Figueira Filho - 3231.5198
Jaime Queiroz - 3423.4588
Hospital do Câncer - 3423.2088
www.cabest.com.br