O deputado estadual Pedro Eurico (PSDB) defendeu ontem que o partido tenha candidatos a prefeitos no Recife e em todos os municípios da Região Metropolitana. Segundo ele, esta é "a posição majoritária do PSDB pernambucano", resultado "de discussões" que têm sido realizadas entre os tucanos. "Até hoje o PSDB foi um partido satélite. Não será mais", disse Pedro, que é ligado ao senador eleito Sérgio Guerra, principal organizador do partido no Estado.
A posição do PSDB em favor de candidaturas próprias é mais um indicativo da antecipação da sucessão municipal de 2004. O debate foi aberto na última quarta-feira, pelo deputado federal Joaquim Francisco (PFL), que anunciou o desejo de concorrer à Prefeitura do Recife. No dia seguinte outro deputado federal, Luiz Piauhylino (PSDB), informou que pretende disputar as eleições em Jaboatão dos Guarararapes. "O PSDB dá total respaldo a Piauhylino. A candidatura dele é oportuna e necessária", ressaltou Pedro Eurico, ontem, argumentando que, sem candidaturas próprias,"o partido será tragado" por outras forças políticas.
Todos eles são integrantes da aliança governista estadual - que tem outro prefeiturável: o deputado federal Carlos Eduardo Cadoca, do PMDB. Cartazes e camisetas com o nome dele como candidato a prefeito do Recife já circulam na cidade, embora o peemedebista diga que este não é o momento para lançar candidaturas. No Recife, o nome mais forte do PSDB é do ex-prefeito Roberto Magalhães, que se elegeu deputado federal (foi o mais votado na capital, com 107.912 votos, contra 68.611 do segundo colocado, Cadoca). Magalhães, porém, que não pretende candidatar-se a prefeito.
Na opinião de Pedro Eurico, não é imprescindível que a aliança tenha um candidato único no Recife ou nos demais municípios da Região Metropolitana. Entende ele que a aliança "não corre riscos" de desunião se os partidos que a integram disputarem a eleição com candidatos próprios. "A aliança tem objetivos permanentes e estratégicos", afirmou.
DESAGRADO - A antecipação da sucessão municipal vai contra o que tem defendido o governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), para quem esta discussão só deve começar no ano das eleições. Sexta-feira, ele disse que tratar de eleições agora, "faltando dois anos" para a disputa, era algo "ridículo". O vice-presidente Marco Maciel, líder do PFL no Estado, e o presidente estadual do partido, deputado federal André de Paula, também acham que ainda é cedo para a deflagração do processo eleitoral. Na esquerda, onde é menor o número de potenciais candidatos, o prefeito João Paulo (PT) é igualmente contrário à antecipação da disputa.