DESAFIO
PYONGYANG - A Coréia do Norte ameaçou, ontem, deixar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), acordo ao qual aderiu em 1985, e acusou os Estados Unidos de chantagem. "O governo Bush, usando armas nucleares como chantagem e colocando fim ao envio de petróleo para a Coréia no Norte, anulou de fato o acordo de 1994", afirmou o embaixador norte-coreano em Moscou, Pak Ui-chun. Ele disse que Washington vem ameaçando a Coréia do Norte com "um ataque nuclear preventivo".
"Essas condições tornam impossível para nós o cumprimento do TNP em uma de suas principais determinações: a de que países que têm armas nucleares não as use contra países que não têm arsenais desse tipo", disse Pak, no que pode ser considerada uma ameaça velada à Coréia do Sul e ao Japão, os dois maiores aliados americanos na região.
O Rodong Sinmun, principal jornal da Coréia do Norte, alerta que os EUA estão preparando uma guerra. "Se o inimigo invadir um palmo sequer de nosso inviolável território, o Exército do Povo e o próprio povo vãocombater os agressores até o último homem". Na segunda-feira, a Rússia, aliada de longa data de Pyongyang, advertiu os norte-coreanos para que não abandonassem o tratado. O regime comunista do ditador Kim Jong-il é um dos mais fechados do Mundo, mas mantém Pequim e Moscou como interlocutores habituais.
AFASTAMENTO - A Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), vinculada à ONU afirmou não ter recebido comunicação oficial sobre a eventual pretensão da Coréia do Norte de deixar o TNP. Os inspetores da Aiea que monitoravam a suspensão das atividades do reator nuclear de Yongbyon (Pyongyang), fechado desde 1994, deixaram o país ontem.
O governo havia pedido a retirada deles alegando que não fazia sentido sua permanência no país, já que o retorno da operação do complexo nuclear já havia sido decidido. Os dois inspetores que desembarcaram em Pequim, um libanês e um chinês, não quiseram fazer comentários sobre a situação do país ou sobre a saída apressada da missão de que faziam parte. A Aiea, porém, lamentou mais uma vez o fim das inspeções.
"Nós somos os olhos do Mundo. Agora não há virtualmente como monitorar as atividades nucleares da Coréia do Norte nem como dar garantias à comunidade internacional de que os norte-coreanos não estão produzindo armas nucleares", comentou Melissa Fleming, porta-voz da Aiea. O TNP, concluído em 1º de julho de 1968, foi criado em um momento em que o Mundo vivia sob a ameaça nuclear, devido à Guerra Fria.