Analistas afirmam que crescimento será modesto, atingindo 2%
RIO - Para a maioria dos analistas, 2003 e 2002 serão espelhos. Explique-se: nas últimas semanas, sumiram as estimativas mais catastróficas, de que o primeiro ano do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva seria marcado pela desconfiança do mercado financeiro, a volta da inflação galopante e dificuldades na retomada da expansão econômica. Em seu lugar, surgiram projeções mais otimistas, que, no entanto, ainda guardam muita cautela e repetem muito de perto a performance do ano que termina. O crescimento da economia, dizem os analistas, será modesto: 2% na melhor das hipóteses.
Nos cenários traçados por bancos e instituições financeiras, a inflação não vai disparar em 2003. Pelo contrário. Deve ficar próxima aos índices registrados este ano - entre 10% e 12,5%, quando considerados os preços ao consumidor. Mas os analistas acreditam que, para manter a inflação sob controle, o Governo lançará mão de uma política monetária bem restritiva, ou seja, não haverá espaço para quedas fortes nos juros, como este ano. A estimativa é de que a taxa básica anual fique, na média, entre 19% e 22%.
"A situação fiscal no Brasil é complicada. Temos uma sobrecarga enorme na política monetária", diz Octavio de Barros, economista-chefe do BBV Banco. Ele explica que, como o País ainda apresenta déficits fiscais elevados, fica mais difícil controlar a inflação. A solução, afirma, é avançar nas reformas, sobretudo na da Previdência. Enquanto isso não acontece, recomenda Barros, o Governo deveria elevar o superávit fiscal primário (receitas menos despesas sem contar o pagamento de juros) dos 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do País) previstos para 2003 para algo entre 4,5% e 5% do PIB. Seria uma maneira de evitar o crescimento da dívida pública e restaurar a confiança do mercado.
A necessidade de um esforço fiscal maior não é unanimidade entre os economistas. Marcelo Allan, coordenador da Comissão de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima), explica queos 18 economistas que integram o grupo chegaram à conclusão, durante reunião para traçar os cenários de 2003, que a melhor estratégia para o próximo Governo seria tentar aprovar logo as reformas (previdenciária, fiscal e tributária). Uma meta de superávit primário mais ambiciosa do que os 3,5% atuais, completa o economista, não seria sustentável a longo prazo.
A pesada dívida pública brasileira, que ao longo de 2002 fez surgir as suspeitas, sobretudo entre investidores estrangeiros, de que o País poderia decretar a moratória, ficará longe da temida trajetória explosiva prevista seis meses atrás. As projeções são de que o endividamento fique entre 54% e 61% do PIB, patamar não muito diferente do atual (59,9% do PIB). A variável-chave para o comportamento da dívida será o câmbio, que hoje corrige 26,6% dos títulos públicos em poder do mercado interno.