Edição de Terça-Feira, 31 de Dezembro de 2002
 
Início Diario de Pernambuco Viver Sonhado Oscar pode vir em 2003

Diario

Índice Geral
Expediente
Ed. Anteriores
Assinaturas
 

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Loterias

 

Viver

Sonhado Oscar pode vir em 2003

José Jardelino da Costa Júnior
especial para o DIARIO

Nosso neo-realismo versão 2002 traz motivos para essa esperança e o tão sonhado reconhecimento mundial. Quem sabe até com o (a esta altura ainda improvável) Oscar de melhor Filme Estrangeiro. Ao contrário das outras recentes tentativas - com O Quatrilho, O Que é Isso Companheiro? e Central do Brasil - Cidade de Deus é calcado numa certa matriz temática universal. Ou seja, as situações descritas de forma contundente por câmera e montagem inquietas resultam em imagens que podem ser "traduzidas" em quase todos os lugares do mundo. A pobreza e a favelização infelizmente são anátemas globalizados presentes em maior ou menor escala tanto no Rio ou São Paulo, como em Londres ou Nova Iorque. A sequência inicial de Fogueira das Vaidades, mesmo com toda a pasteurização da adaptação cinematográfica da obra de Tom Wolfe, mostra que a favela de Elias Maluco pode estar ali logo no desvio de um viaduto em plena Manhattan.

  Cidade de Deus, guardadas as diferenças de época e de tema, pode repetir o fenômeno de Roma, CidadeAberta, de Roberto Rosselini, que conseguiu comunicar para o mundo o estado de destruição pós Segunda Guerra enfrentado pela Itália. Situação que não era totalmente estranha aos espanhóis, recém-saídos de uma guerra civil. Ou aos ingleses ainda juntando os cacos dos estragos produzidos pela Luftwafe. Mesmo não vivenciando os horrores de guerra em suas esquinas, os americanos, de consciência pesada por Hiroshima e Nagasaki, souberam captar (e valorizar) o SOS do cineasta italiano.

  É possível que com Cidade de Deus o cinema brasileiro tenha finalmente encontrado uma identidade que o individualize e lhe dê destaque. As vicissitudes sociais e urbanas provocadas pela explosão demográfica ainda incontrolada em muitos países, aliadas aos efeitos nefastos trazidos pelo lado peverso da globalização (aumento da exclusão social, diminuição da oferta de empregos) encontram a sua representação mais verdadeira em nossas favelas. O cinema, nesse caso, ao adotar um caminho à la Bretch (estilo de narrativa que evita que o espectador se identifique com os protagonistas) poderá cumprir um papel importante semelhante ao que coube ao neo-realismo italiano no fim dos anos 40: trazer para um debate sério, profundo e construtivo o ambiente que serve como pano de fundo às peripécias dos personagens de filmes como Cidade de Deus. Tudo, no entanto, pode não passar de sonhos de uma noite de verão tropical. O nosso cinema seria, de novo, barrado no baile do Oscar.








 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br