Nessa época do ano, especialistas recomendam cuidado especial para comidas que contenham óleo e que são suscetíveis à contaminação por bactérias
Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO
Não há dieta que sobreviva às festas de final de ano. As tradicionais ceias de Natal e Ano Novo, repletas de alimentos ricos em carboidratos, gordura saturada e açúcar, aliadas a uns goles extras de champanhe, são um convite irrecusável ao pecado da gula. Embora seja quase impossível resistir à tentação, os médicos são unânimes em afirmar que é bom comer e beber com moderação. Afinal, os exageros quase sempre levam a complicações gastrintestinais que podem ir de simples indisposições digestivas até quadros de coma alcoólico.
Os maiores vilões das festas de fim de ano são as bebidas. Os especialistas aconselham cautela, principalmente em relação ao champanhe. Por serem doces, os espumantes costumam ser consumidos em demasia, até mesmo por pessoas que não são acostumadas a beber, levando facilmente à embriaguês e à ressaca. "Também é aconselhável evitar as misturas. Bebidas fermentadas em associação com os destilados não combinam e podem, em grandes quantidades, levar à perda de consciência, a ânsias de vômito e à desidratação", explica o clínico geral Cláudio Marinho.
cardíacos - De acordo com ele, hipertensos, diabéticos e obesos devem redobrar os cuidados. Afinal, os perigos para essas pessoas são potencialmente maiores e podem acarretar problemas graves, como ataques cardíacos e crises de hiperglicemia. "Pessoas com altas taxas de colesterol devem evitar as carnes gordurosas, as frituras e as sobremesas a base de ovos. Até mesmo o peru está condenado, pois além da gordura natural, ele geralmente é bastante condimentado", alerta.
Cláudio Marinho explica ainda que não existem remédios que combatam ou previnam as indisposições hepáticas. No entanto, os sintomas da má digestão e da ressaca podem ser minimizados através do uso de analgésicos para as dores de cabeça e de anti-eméticos para as náuseas. "Nos casos mais graves, envolvendo sobretudo hipertensos e pessoas em coma alcoólico, deve-se procurar imediatamente um serviço de urgência, evitando complicações maiores ou o agravamento do quadro", ensina.
maioneses - O gastroenterologista Roberto Magalhães recomenda que as pessoas tenham um cuidado especial com as comidas, principalmente aquelas que contêm muito óleo ou são suscetíveis à contaminação por bactérias. "Deve-se evitar o consumo de maioneses, principalmente fora de casa, além das frituras, dois alimentos campeões do mal-estar gástrico. Além disso, é prudente evitar a associação das bebidas gaseificadas (refrigerantes e cervejas) com as massas, pois elas favorecem à formação de gases".
Roberto Magalhães afirma que deve-se evitar ao máximo a mistura de bebidas e, mesmo nos casos de consumo moderado de álcool, é bom ingerir muita água, o que evita a desidratação e a conseqüente tradicional dor de cabeça. O especialista revela que, se apesar de todos esses conselhos, ainda não for possível resistir aos excessos, pode-se minimizar o mal-estar do dia seguinte com uma dieta a base de arroz branco, carne magra, sucos e frutas. A automedicação não é aconselhada, principalmente porque muitos dos medicamentos destinados às disfunções gástricas contêm ácido acetil salicílico, que podem provocar sangramentos em pessoas portadoras de úlceras e gastrites agudas", arremata.
Serviço
Carlos Marinho - 3427.1459
Roberto Maganhães - 3302.6060