BRASÍLIA - Uma leitura crítica sobre a situação deixada pela equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso, uma lista de eventuais "bombas de efeito retardado" e possíveis "esqueletos" são os principais pontos dos relatórios que a equipe de transição governamental apresentará na próxima sexta-feira, na primeira reunião ministerial do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro está marcado para as 10 horas no auditório do Centro de Cultural do Banco do Brasil.
Após o encontro com Lula, os novos ministros deverão ter reuniões em separado com os técnicos da equipe de transição para discutir a situação específica encontrada em cada pasta. A elaboração dos diagnósticos setoriais começou no dia 12 de novembro e, oficialmente, o time da transição trabalha até o dia 15 de janeiro. Todos os relatórios têm um formato padrão, onde constam informações como estrutura do ministério, número de funcionários, orçamento, quadro atual e desafios imediatos.
No decorrer dos trabalhos, os técnicos encontraramproblemas como o risco de desabastecimento de arroz e milho, a situação precária dos hospitais públicos, os orçamentos modestos em áreas como Meio Ambiente e Esportes. No entanto, o coordenador-geral da Transição, Antônio Palocci, tem declarado que os problemas encontrados por sua equipe não terão uso político. O julgamento sobre o que fez o atual governo, diz ele, deve ser feito pela população brasileira. Ele já adiantou, também, que os problemas detectados ao longo dos últimos 50 dias são todos conhecidos e têm perspectiva de solução.
PROBLEMAS - Ontem, o futuro ministro dos Transportes, Anderson Adauto, já teve sua primeira conversa com sua equipe para analisar o relatório que recebeu no momento em que foi convidado para o cargo. Dois problemas ficaram claros logo no primeiro momento: a urgência de recuperar a malha rodoviária e combater a corrupção na estrutura administrativa. Outros ministros também já receberam seu relatório, em caráter informal.
Uma das áreas mais delicadas encontradas pela equipe de transição foi a da Saúde. Três problemas exigiram que o novo governo antecipasse o início de seus trabalhos, em conjunto com o time do atual titular da pasta, Barjas Negri: dengue, medicamentos e vacinas.
No caso da dengue, foi constatado o risco de uma nova epidemia a partir de janeiro, já que o verão e as chuvas favorecem a proliferação do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. Para evitá-la, o atual governo já começou os trabalhos de prevenção por volta de novembro. O próprio Palocci teve algumas reuniões com Negri para tratar do tema e declarou, várias vezes, que de nada adiantaria trabalhar contra a dengue quando a epidemia já estivesse instalada. O futuro ministro da Saúde, Humberto Costa, que liderou os trabalhos da transição nessa área, também precisou atuar para evitar que o atual governo autorizasse um novo aumento nos preços dos remédios por volta do dia 20 de dezembro, para vigorar a partir de 1º de janeiro.