Negócio é alternativa para quem não tem pressa e quer fugir dos juros dos financiamentos comuns
Cleide Galdino
DA EQUIPE DO DIARIO
Bastante difundido no Sudeste, onde é predominantemente comercializado por empresas particulares, o consórcio imobiliário está começando a ficar conhecido no Recife depois que a Caixa Econômica Federal (CEF) lançou o produto há um mês. Em Pernambuco, de acordo com o superintendente de negócios da CEF, Ronaldo J.G. Roggini, já foram vendidas 13 cotas da modalidade do negócio, perfazendo um total de R$ 710 mil. Em todo País são 679 consorciados da Caixa, movimentando um investimento de R$ 40 milhões. "A maior procura é pela carta de crédito de R$ 30 mil, para ser quitada no prazo de 120 meses", adianta Roggini.
O consórcio imobiliário da CEF é administrado pela Caixa Consórcios e é uma alternativa para quem não tem pressa de alcançar o sonho da casa própria e não quer pagar juros dos financiamentos comuns. Na prática, ele funciona com as mesmas regras de um consórcio convencional. A contemplação acontece por sorteio (1º prêmio da Loteria Federal do primeiro sábado anteriorà assembléia); por lance fixo (20% do valor do saldo devedor) e por lance livre (maior percentual de amortização). A novidade é que os lances podem ser feitos pela Internet, no site da Caixa Consórcios ou pelo telefone.
A carta de crédito dá direito à compra de imóveis novos ou usados, de lote urbanizado, imóvel rural e ainda permite a quitação do saldo devedor habitacional. Para Ronaldo Roggini, o consórcio imobiliário da CEF é uma boa opção, sobretudo, para a classe média. Pessoas como o advogado, Zadig Costa Cruz de Oliveira, 28 anos, que se tornou consorciado em novembro, planejando dar um lance daqui a um ano e, com a carta de crédito mais algumas economias, adquirir um apartamento à vista. "Não quero pagar juros e nem correr o risco de comprar um imóvel na planta e não ter o apartamento entregue no prazo ou ver a construtora falir e não entregar a obra", esclarece.
No consórcio da CEF, para a carta de crédito de R$ 30 mil, no plano de 120 meses, o consorciado paga R$ 324,00 por mês. Nos primeiros quatro meses a prestação vem com o acréscimo de R$ 75,00 relativo à taxa de adesão. Depois, volta ao valor normal. A prestação é composta por uma parcela do fundo comum, outra do fundo de reserva, seguro, taxa de administração, que varia de 13% a 17% conforme o prazo, e taxa de administração antecipada, que corresponde a 1% do valor do crédito, também cobrado nas quatro primeiras prestações.
A correção das mensalidades e o valor do crédito é anual, feita pelo Índice de Preços ao Consumidor (INPC) que, segundo a CEF, é o que mais acompanha as variações salariais. Os grupos do consórcio são fechados conforme o prazo de pagamento: 60 meses (mínimo) e 120 meses (máximo), e também de acordo com o valor da carta de crédito, que pode variar de R$ 15 mil a R$ 150 mil.
Embora seja apresentado como boa alternativa para aquisição da casa própria, há quem enxergue muitas desvantagens no consórcio imobiliário. Para o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), Antenor Lino, é muito difícil adquirir um imóvel novocom uma carta de crédito. "Simplesmente não existem apartamentos novos prontos suficientes no mercado para atender à demanda. É a lei da oferta e da procura", explica. Segundo ele, fatalmente os consorciados acabarão adquirindo apenas imóveis usados.
Outro problema é a taxa de administração, que ele considera alta, além da excessiva burocracia para a liberação do crédito. "As empresas do mercado imobiliário já enfrentam problemas quando têm que esperar pela liberação dos recursos do Fundo de Garantia de um cliente que deseja comprar um imóvel. Em alguns casos, esperamos noventa dias pela liberação dos recursos. O dinheiro que deveria ser à vista fica a prazo", comenta. Ele acredita que a demora também vai se estender às cartas de crédito do consórcio.
Serviço
Caixa Consórcios - www.caixaconsorcios.com.br
Fone - 0800. 7024000