(Atualizado no dia 01/12/2002)
 
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Transplante de fígado feito com bisturi que tem corte de jato salino anula riscos de hemorragias

Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO

O sucesso técnico do primeiro transplante de fígado entre vivos do Norte e Nordeste, realizado no Recife há pouco mais de três meses, veio reacender as esperanças de centenas de doentes hepáticos crônicos que de outra forma não sobreviveriam à espera de até três anos por doadores tradicionais. Hoje, segundo dados do Ministério da Saúde, 40% dos pacientes morrem na fila dos transplantes pela absoluta falta de doações. Para atender à demanda, o Brasil deveria realizar, anualmente, 3,2 mil cirurgias, 160 só em Pernambuco. No entanto, foram viabilizadas, este ano, apenas 18 procedimentos no Estado, nos hospitais Jaime da Fonte, Memorial São José e Oswaldo Cruz. Para 2003, as expectativas apontam um crescimento de 50% no número de intervenções, 12 das quais a partir de doadores vivos. Número muito aquém das necessidades.

  O cirurgião Cláudio Lacerda, responsável pela introdução da nova técnica na região, afirma que embora a primeira paciente beneficiada pelo procedimento tenha sido submetida a um retransplante pouco tempo depois, devido à reincidência das disfunções hepáticas, isso não invalida o sucesso da operação. Ele garante que todo o processo, sobretudo no que diz respeito à recuperação do doador, superou as expectativas. "Só não contávamos com o retorno da doença que, comprometendo a parte do fígado transplantada, levou à necessidade de uma nova intervenção, desta vez por meio de um doador já falecido", lamenta.

  Cláudio Lacerda explica que os transplantes entre vivos só estão sendo possíveis graças a um tipo de bisturi, importado da França, que possibilita o corte por meio de jato salino. "O Hand-Jet permite que órgãos como o fígado, que são altamente irrigados, possam ser subdivididos sem que haja o comprometimento dos vasos sangüíneos e isso anula completamente os riscos de hemorragias nos doadores, além de facilitar o processo de regeneração", ressalta.

  Para o presidente da Associação Pernambucana de Apoio aos Doentes do Fígado (Apaf), Eliseu de Carvalho, a nova técnica vem para beneficiar principalmente aqueles pacientes em estado mais grave, que necessitam de transplantes imediatos. "Como as doações não atendem à demanda e os transplantes prescindem de uma compatibilidade sangüínea, apenas o recebimento de um segmento do fígado de parentes próximos pode assegurar a sobrevivência e isso só está sendo possível agora, face ao desenvolvimento tecnológico e à diminuição dos riscos para os doadores".

  O Cirurgião Geral Luiz Adeodato, da equipe de transplante de fígado do Hospital Oswaldo Cruz, diz que o doação entre vivos esbarra numa questão meramente ética, pois parte do princípio de que o doador não deve sofrer nenhum risco de vida e a literatura médica já registra a ocorrência de oito casos de óbitos pós doação. "Mesmo assim, o transplante entre vivos é um grande avanço para a medicina e deve garantir a sobrevivência de dezenas de pacientes já no próximo ano", reitera.

  Submetido a um transplante de fígado tradicional, o engenheiro Alberto Morais diz que nem todos tem a sorte de esperar apenas dois mesespela cirurgia. "Apesar do meu tipo sangüíneo ser raro, consegui logo um doador. Infelizmente, muitos outros portadores de cirroses hepáticas crônicas ainda morrem anualmente pela falta de doadores". Já o vendedor Reginaldo Lima, que esperou a oportunidade de um transplante durante seis meses, diz que a cirurgia é uma forma de renascimento e que o importante é poder ter uma vida normal, sem as limitações impostas pela doença.

Serviço

Hopital Jaime da Fonte - 3416.0000

Hospital Oswaldo Cruz - 3413.13000








 

 
 
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