Adesão a programa objetiva compatibilizar produção do setor aos padrões das construtoras com PBQPH
Ana Braga
DA EQUIPE DO DIARIO
Consumidores de Pernambuco, Alagoas e Paraíba podem esperar imóveis de melhor qualidade, a partir do segundo semestre de 2004. Até lá, oito indústrias do setor de esquadrias de alumínio, desses três Estados, estarão em processo de qualificação para a ISO 9000. A ação visa adequar a produção a exigências de construtoras que aderiram ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade da Habitação (PBQPH).
A adesão de boa parte das construtoras ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade da Habitação é uma das exigências da Caixa Econômica Federal para financiar obras. E como fazer jus à instituição, sem bons fornecedores? "As construtoras vêm, há dois anos, dedicando-se à qualificação e certificação, como a ISO 9000. Mas a relação delas com o setor de esquadrias anda desajustada, os produtos de ambos não estão compatíveis", observa o diretor da Iane Brasil, Ernani Brasil. "Um exemplo disso é o uso de esquadrias de linha intermediária em obras de alto nível", destaca.
Iane, Alunor, Sival, Pórtico e Squadra são as indústrias de Pernambuco que aderiram ao programa. De Alagoas, Socitec e Finestra. Da Paraíba, apenas a Gerral. Todas forncedoras de esquadrias para obras. O processo de qualificação tem orientação do Instituto de Apoio da Universidade de Pernambuco (IAUPE). "Os consultores do instituto estão preparando o grupo para a certificação. Esse processo de qualificação dura entre dez e 12 meses, segundo eles afirmam", conta Ernani Brasil.
O órgão certificador só será conhecido ao final do processo de qualificação. "Chamaremos o certificador quando o grupo estiver apto, capaz de fazer jus ao certificado. O próprio IAUPE auxiliará nessa decisão", fala o representante da Associação Nacional dos Fabricantes de Esquadrias de Alumínio, Girley Brazileiro. "As que não entraram no grupo do processo de qualificação o fizeram porque consideram que não tinham estrutura e, principalmente, pessoal, para acompanhar as exigências da certificação", justifica. O órgão certificador realiza auditoria a cada seis meses e obriga que o fabricante certificado mantenha um comitê de qualidade, dentro da própria empresa, para fazer também auditorias.
O programa de qualidade e as insituições financeiras exigem das construtoras que, por sua vez, cobram dos fornecedores. "Quem ganha com isso é o consumidor final", afirma Ernani Brasil. "Com o esforço pela certificação, o setor de esquadrias de alumínio vai aprender a reduzir o desperdício. Perde-se matéria-prima porque não há mão-de-obra treinada nem padronização do processo de produção", avalia.
O grupo de indústrias de esquadrias espera também equilibrar a concorrência. "Além do desperdício, a informalidade é um grande inimigo. Há empresas que não recolhem impostos, que não fazem registros em carteira e não seguem as normas da Associação Brasileiras de Normas Técnicas (ABNT)", fala Ernani Brasil. O diretor da Iane estima que vinte empresas fornecedoras de esquadrias para obras trabalham informalmente em Pernambuco. "Sem falar das que fornecem para pequenos serviços", acrescenta. O estado representa 40% do setor. Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba dividem o restante. "Qualificar é um processo profundo, que tem um custo de implantação alto, mas temos certeza que é também um grande investimento", aposta.