Golpe no crime
SÃO PAULO - O Ministério Público de São Paulo apresentou ontem denúncia contra 14 acusados de pertencer à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua em presídios do estado e é suspeita de diversos atentados contra órgãos públicos. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Entre os denunciados estão Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, Julio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola, os líderes da organização, segundo a Promotoria, e o seqüestrador Wanderson Nilton Paula Lima, o Andinho, que seria a principal financiador do PCC, dando entre R$ 10 mil e R$ 20 mil por mês à facção.
Os outros presos denunciados por formação de quadrilha são: Agnaldo Souza dos Santos, o Baianão; Jair Facca Júnior, o Faca; Alexandre Aparecido Fernandes, o Zildo Caramujo; Nilson Paulo Alcântara dos Reis, o Faísca; Carlos Magno Zito Alvarenga, o Nego Manga; David Stocker Ulhoa Maluf, o Magaiver; Luís Carlos Galego; Abraão Samuel dos Reis; Wilson Herber Condasso, o Conrado; Lucien Remy Zahr; e Alex Ramos de Oliveira.
Apresentaram a denúncia à 12ªVara Criminal de Justiça os promotores Roberto Porto e Márcio Sérgio Christino. Eles arrolaram como testemunha José Márcio Felício, o Geleião, ex-líder do PCC que denunciou as atividades ilícitas da organização. De acordo com a polícia, ao perceber que a organização estava se desmantelando com mortes de diversas mulheres de presos que serviam de informantes e mensageiras do PCC, ele resolveu contar tudo o que sabia sobre a facção ao delegado Ruy Ferraz Fontes.
Além de Geleião, o Ministério Público vai pedir o depoimento do delegado Fontes, do Departamento de Investigações contra o Crime Organizado (Deic), responsável pelo inquérito. Segundo relatório dos promotores, após a ação repressiva da polícia, "podemos afirmar que cúpula da organização, ou seja, todos aqueles líderes com poder de decisão e prevalência sobre os demais foram identificados e isolados". Agora eles estão presos na penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes, no extremo Oeste paulista, onde há bloqueador de celulares.
De acordo com a Promotoria, os celulares foram "ao mesmo tempo a maior força e a maior fraqueza" do PCC, pois permitiram a comunicação, mas as conversas telefônicas também puderam ser interceptadas, gerando o fluxo de informações que desvendou o sistema criminoso.