Pesquisa feita por entidade norte-americana em oito países revela que o Brasil só perde para o Japão
Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO
A instabilidade econômica, o estado de insegurança nas ruas, o trânsito cada vez mais complicado e a incapacidade de cumprir todos os compromissos financeiros, somados às pressões diárias da atividade profissional, provocam muito mais danos à saúde do que se pode imaginar. Recente pesquisa realizada pela International Stress Management Association (ISMA) em oito países, entre eles, Estados Unidos, Alemanha, França, Israel e China, revela que o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking dos mais estressados do Mundo, perdendo apenas para o Japão. Segundo levantamento da ISMA, 70% dos brasileiros apresentam algum nível de estresse, sendo que desses 30% sofrem da chamada Síndrome de Burnout - estado de exaustão física e mental que pode levar a problemas sérios como depressão profunda e, até mesmo, suicídio.
Especialistas acreditam que o número de brasileiros vítimas do estresse deve aumentar até o final do ano, considerando a ansiedade provocada pelas incertezas econômicas do País. O problema só deve ser minimizado, arriscam, após a conclusão da transição política e da retomada do crescimento financeiro. Um dos maiores desafios para que os brasileiros saibam lidar melhor com o estresse, segundo os psicólogos, é a recuperação da auto-estima e o desenvolvimento de técnicas que possam transformar a insegurança numa força positiva e motivadora.
LIMITES - A psicóloga e coordenadora no Brasil da pesquisa da ISMA, Ana Maria Rossi, explica que fazer do estresse uma motivação não é fácil, mas também não é impossível. Afinal, tudo depende da capacidade do indivíduo de transformar situações-limite em momentos de prazer. Segundo ela, as pessoas que conseguem transformar suas ansiedades em força produtiva tornam-se mais tolerantes e felizes, além de apresentarem mais saúde.
Ana Maria Rossi afirma que para chegar a esse estágio é necessário que se identifique a origem do problema e a partir daí se tenha mais controle sobre ele. "Se você é uma pessoa que se aborrece com uma simples chuva, por exemplo, procure relaxar e aproveite o dia para substituir a praia por uma boa leitura ou algo que você realmente goste. Quem sabe ler aquele livro que você comprou e ainda não teve tempo de ler? Assim, você estará transformando um motivo de ansiedade em momentos bastante agradáveis", ensina.
Além da chamada automotivação, existem outros mecanismos que podem ser de grande ajuda, sobretudo para quem sofre de estresse profissional, modalidade muito comum entre os executivos e que pode levar ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout e de cardiopatias graves, caso não seja combatido. A terapeuta ocupacional Márcia Salles, diz que a prática de relaxamento e de atividades físicas, o desenvolvimento de um hobby e, até mesmo, a fé religiosa podem minimizar os efeitos do estresse, contribuindo para a manutenção do equilíbrio físico e emocional.
CORAÇÃO - O cardiologista Milton Garret revela que mais de 30% dos pacientes que buscam as urgências cardiológicas não apresentam comprometimentos cardiovasculares, sendo vítimas apenas de uma crise agudade estresse, apresentando como sintomas alterações de pressão arterial, arritmias, e desconforto na região toráxica. "Dependendo do estágio dos comprometimentos, o paciente pode ser encaminhados a especialistas como psicólogos ou psiquiatras, ou ainda aconselhados a desenvolver atividades físicas e atividades que contribuam para a supressão da ansiedade", arremata.
Vítima de uma crise aguda de estresse, a secretária executiva Carla Abud, 38 anos, conta que a pressão emocional decorrente de problemas familiares e da sobrecarga de trabalho a fez desenvolver um quadro sintomatológico típico do estresse. Dores fortes de cabeça, fadiga e apatia terminaram por leva-la à urgência neurológica, onde o problema foi diagnosticado. Hoje, a secretária tenta vencer o problema com sessões de ioga e os resultados têm sido tão positivo que ela já abandonou os ansiolíticos. "Não é fácil vencer o estresse, mas com força de vontade e uma boa dose de auto-estima é possível contorná-lo, e voltar a ter uma vida normal", ratifica.