Produtos resistentes garantem segurança contra vazamentos, inclusive em prédios com uma unidade por andar
Roberto Cavalcanti
DA EQUIPE DO DIARIO
Sonho de consumo da classe média, as piscinas tornaram-se um item quase obrigatório nos projetos arquitetônicos dos edifícios de médio e grande porte, conferindo-lhes valorização e requinte. Há quem exagere, afirmando que elas proporcionam, ainda, segurança extra aos condôminos, evitando que se arrisquem à violência urbana, indo à praia ou ao clube. Mesmo com tantos benefícios, manter piscinas em prédios, sobretudo na cobertura, não é um processo simples e requer, além dos cuidados com a qualidade da água, vistorias periódicas capazes de identificar possíveis focos de vazamentos. Em muitos casos, essas infiltrações podem acarretar danos estruturais e mal-estar entre vizinhos.
O engenheiro civil Felipe Afchoff garante que o desenvolvimento tecnológico tem proporcionado o surgimento de materiais cada vez mais eficientes, o que praticamente reduz à zero o aparecimento das infiltrações. "O processo de construção de piscinas sobre lajes obedece a rigorosos critérios construtivos que vão desde a compensação do peso da água nas fundações, até o revestimento da caixa de concreto com camadas sucessivas de manta asfáltica, argamassa e substâncias impermeabilizantes, sendo difícil o aparecimento de problemas, a não ser que haja rompimento da tubulação", explica.
Eduardo Dubeux, da Construtora Moura Dubeux, acrescenta que existe uma preocupação especial com as piscinas, principalmente aquelas localizadas em coberturas. Ele garante que a utilização de impermeabilizantes de alta resistência como a argamassa polimérica expansiva garante uma margem de segurança de 100% contra possíveis vazamentos, o que tem permitido, em prédios de alto luxo, a construção de uma piscina por andar, como no caso do edifício Vale do Capibaribe, na Torre.
Apesar de tantos cuidados, é bom lembrar que esses materiais apresentam uma vida útil limitada, o que torna necessária a realização de vistorias ao primeiro sinal de problema. "Em edifícios com mais de dez anos, o check up deve ocorrer a cada seis meses, principalmente para evitar fissuras nas tubulações hidráulicas, mais susceptíveis à deteriorização", aconselha o proprietário da Veneza Piscinas, Reginaldo Jucá. Segundo ele, o uso cada vez mais comum das piscinas de vinil ou fibra de vidro evitam ainda mais o aparecimento de problemas.
O Administrador de condomínios Genival Aguiar conta que há algum tempo a piscina de um edifício em Boa Viagem apresentou o rompimento da manta asfáltica, levando a uma grande infiltração no teto da garagem. "Um dos proprietários nos acionou sentindo-se prejudicado. Constatado o problema, solicitamos à construtora que reparasse o dano e fomos prontamente atendidos".
Genival Aguiar ressalta que em caso de falhas estruturais, a construtora deve ser acionada para solucionar o problema, mesmo que este só apareça após o prazo de garantia que é de cinco anos. "Caso a empresa não assuma a responsabilidade, o condomínio deve entrar com um processo judicial, obrigando a construtora a reconhecer o erro. No entanto, se o problema for ocasionado pelo mal uso da piscina, o próprio condomínio deve arcar com os prejuízos. No caso dos apartamentos de cobertura, é o proprietário quem deve assumir o ônus", acentua.
A manutenção das piscinas, no entanto, ultrapassa os cuidados com a caixa de concreto e as tubulações. A arquiteta Vanja Calazans ensina que toda a área em volta da piscina também deve ser trabalhada de forma a evitar problemas. "Sempre aconselho meus clientes a utilizarem, no deck, pisos impermeabilizados e anti-derrapantes, além de pedras que não absorvam muito calor. Além disso, a limpeza da área deve ser facilitada, evitando-se materiais porosos, capazes de reter umidade e proporcionar a criação de lodo", ensina.