Edição de Sábado, 9 de Novembro de 2002
 
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Estrelas pedem tempo

Nem sempre a união de dois currículos repletos de conquistas consegue trazer resultados imediatos. Às vezes, os "times dos sonhos" demoram a engrenar. Para quem pensou que a badalada dupla formada pelas campeoníssimas Sandra Pires e Leila, iria deslanchar logo no primeiro ano de atuação, enganou-se. Acostumadas ao estrelato, pódios, medalhas e muitos títulos - cada uma na sua praia, é claro - somente ontem, nas areias de Boa Viagem, as atletas voltaram a sentir o doce sabor de terminar invictas o primeiro dia do torneio principal do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia nesta temporada. Na primeira partida do dia, elas venceram Izabel/Ivanise por 2 set a 0, parciais de 18/12 e 18/12. No grande duelo de ontem, a dupla desbancou o favoritismo de Ana Paula/Tatiana (MG/RS), ao vencer a partida também por 2 sets a 0, parciais de 18/9 e 24/22. Atualmente, a dupla Sandra/Leila ocupa a terceira posição no ranking do Circuito Nacional.

  O tão esperado entrosamento aguardado por elas e, principalmente, pela estreante na areia, Leila, parece estar vindo gradativamente. O fato de não ter subido ao pódio, até agora, no Circuito BB, não desanima a parceria. "Só tenho dez meses de vôlei de praia. A maioria das outras jogadoras está junta há mais tempo. Acredito que a pressão sobre mim seja grande porque todo mundo ainda associa minha imagem ao vôlei de quadra. Eu também me cobrei bastante quando optei pela areia, mas aos poucos vi que o buraco era mais embaixo", frisou Leila, que entre os vários títulos conquistados na Seleção brasileira de voleibol, guarda com carinho a medalha de bronze das Olimpíadas de Sydney.

  A falta de resultados, por alguns instantes, fez Leila ficar balançada em retornar às quadras, mas ela afirmou que sua relação com o vôlei indoor foi encerrada definitivamente. "Sinceramente, não me arrependo de ter deixado as quadras. É verdade que quando os resultados na areia não apareciam, eu ficava um pouco balançada, mas isso foi até eu entender que as duas modalidades eram completamente distintas. Epercebi também que não existe atalho para o sucesso. Você tem que trabalhar muito, ralar mesmo", acrescentou a brasiliense, de 29 anos.

COMPREENSÃO - A palavra chave para definir a relação entre Sandra Pires e Leila é compreensão. Tanto fora quanto dentro de quadra, recai mais sobre os ombros da experiente Sandra, orientar e animar a parceira na hora em que as coisas não vão bem. "Estou sendo super paciente. Só que o mais importante é que temos consciência das nossas limitações. A afobação no início da parceria deu lugar à serenidade e à vontade de continuar perseguindo nosso objetivo, que é a Olimpíada de Atenas. Isso sim é o mais importante. O atleta vive várias fases. Nós, estamos na fase do aprendizado. Já para 2003, podem esperar uma dupla mais afinada", avisou Sandra Pires, primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha de ouro olímpica, em Atlanta/96, jogando ao lado de Jacqueline Silva.


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