Edição de Sábado, 9 de Novembro de 2002
 
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Síndrome do CSA

Redução do rendimento técnico, queda no aproveitamento de pontos e divergências internas entre o treinador e diretoria abalaram a confiança dos rubro-negros quanto ao retorno do Sport à primeira divisão do futebol brasileiro. O resultado imediato dessa turbulência foi, como de costume no futebol, o questionamento sobre o trabalho que vem sendo feito pelo treinador Heriberto da Cunha - que perdeu a condição de intocável e acabou sendo posto, pela primeira vez, em cheque pelos torcedores. As primeiras vaias e gritos de "burro" já começaram a ecoar, principalmente nas sociais e cadeiras do clube. Não seria uma grande injustiça com o técnico que manteve o time desde a terceira rodada entre os quatro primeiros da Série B? Ou será que os rubro-negros estão sendo movidos pelo trauma de Heriberto repetir no Sport o fracasso que obteve no CSA no primeiro semestre - quando foi líder do Nordestão por várias rodadas e parou de vencer nos jogos finais, terminando apenas na sétima colocação?

  Antes que outros comecem ater este medo, Heriberto faz questão de explicar: "A situação do Sport não tem nada a ver com a que viveu o CSA. Não há como ligar uma coisa com a outra. O que aconteceu lá foi que consideraram a missão cumprida antes de se cumprir a missão. A diretoria deu-se por satisfeita, desonrou acordos e até negociou jogadores antes do fim do campeonato. Já o Sport é um clube grande e tem seus objetivos definidos" analisa o treinador rubro-negro, que logo completa: "Aqui a única coisa que importa é subir para a primeira divisão. Ninguém vai se contentar só com uma boa campanha".

  Por mais que Heriberto deixe claro às diferenças entre Sport e CSA, sempre existem aqueles que apontam as coincidências entre as campanhas dos dois clubes dirigidos pelo treinador paulista este ano. A primeira delas: o excelente desempenho na primeira metade das competições. O CSA fez 18 dos 24 pontos possíveis até o meio do Nordestão, num aproveitamento de 75%. O Sport fez, na metade inicial da Série B, 28 dos 39 pontos possíveis, o que resulta num aproveitamento parecido, em torno de 72%. No restante da competição, é verdade que os desempenho dos dois times caíram, mas em proporções bem diferentes. O CSA desabou, somando apenas seis dos 21 pontos possíveis e o aproveitamento passou para meros 28.5%. A queda do Sport foi muito menor. Do 14ªao 24º jogo (contra o América/RN), o Leão somou 16 dos 30 pontos em disputa, aproveitando 53,5% da pontuação.

  "Se você considerar que os jogos tornam-se muito mais complicados do meio para frente do campeonato, principalmente numa competição como a segunda divisão, em que oito se classificam e seis são rebaixados, vai se ver que o Sport manteve-se bem. Continuar com mais de 70% de aproveitamento era muito difícil e a queda foi natural. Sem falar que as contusões e suspensões começaram a aparecer e tive que mexer na espinha dorsal do time", justifica Heriberto, tendo a seu favor o argumento que o Sport desde a terceira rodada manteve-se entre os quatro primeiros e deve encerrar a primeira fase entre a 2ªe a4ªposição, comprovando uma regularidade que o CSA realmente não teve. O time alagoano passou 10 jogos sem perder no Regional e, depois de ser goleado pelo Bahia por 4x1 na 11ªrodada, desestabilizou-se e ficou sem vencer até o final.

  "Além de todas as interferências extra-campo, a boa campanha que fazíamos na Copa do Brasil também acabou tirando a concentração dos jogadores na reta final do Campeonato do Nordeste. Eram vários empresários assediando o grupo e o ambiente foi totalmente prejudicado", relembra o treinador do Sport.


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