(Atualizado no dia 03/11/2002)
 
Início Diario de Pernambuco Empregos Notívagos profissionais

Diario

Índice Geral
Expediente
Ed. Anteriores
Assinaturas
 

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Loterias

 

Empregos

Notívagos profissionais

Ao contrário do passado, pessoas que trabalham no horário noturno hoje se declaram apaixonados pelo que fazem

Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO

O sol se põe, finalmente acaba o dia e enquanto a maioria dos humanos e animais se recolhe para um merecido descanso, uma parcela da população está apenas começando o expediente de trabalho. São os trabalhadores notívagos que, ao contrário do que acontecia no passado - quando se encarava o trabalho noturno como um sacrifício - são apaixonados pelo que fazem e principalmente pelo horário que escolheram para trabalhar.

  Gostar de trabalhar à noite parece um contrasenso para os médicos do trabalho, pois - segundo eles - o homem é um ser reconhecidamente diurno. "Quando alguém desenvolve uma atividade profissional à noite, recebe um impacto orgânico fora do horário habitual, o que ocasiona um desgaste mental e físico maior", explica o diretor executivo de Saúde do Trabalhador da Prefeitura do Recife, Luís Saraiva. Ele chama a atenção para os problemas de saúde que o trabalho noturno pode gerar, entre eles gastrite, úlcera, tontura, problemas de visão, descontrole hormonal e até baixo desempenho sexual.

  Existem ainda as questões de ordem social. "O trabalhador noturno normalmente vive irritado, estressado, cansado. Ele não tem tempo para conviver com a mulher nem com os filhos. Enquanto eles estão acordados, o pai está dormindo. Isso gera cobranças, conflitos e o lado afetivo fica abalado", lembra Saraiva.

  Existe, porém, uma pequena parte da população que é notívaga, dorme e acorda muito tarde e inclusive produz melhor à noite. "Esses realmente têm prazer de trabalhar quando o sol se põe", reconhece o médico do trabalho. Um desses aficionados pela labuta noturna é o DJ Bruno Pedrosa, 26 anos. Desde a adolescência, ele atua como disc jockey em bailes de debutantes, formaturas e festinhas em geral, com seus discos e o inseparável headfone. "Não gosto de sair de casa durante o dia. Se pudesse marcava todos os meus compromissos para depois das 16h", garante o rapaz, que trabalha de quinta-feira a sábado e nunca recebe cachês inferiores a R$ 250,00.

  Bruno reconhece que é diferente das outras pessoas. "Não consigotomar café da manhã, tenho insônia e não durmo antes das 2h. Quando estou em casa à noite, leio um bom livro madrugada adentro até sentir sono", confessa. Como Bruno, o fisiculturista, Marcelo Vereda, 30 anos, dono da academia 24 horas, Vereda Trainer, no Espinheiro, é um profissional notívago confesso. "A idéia de criar a academia 24 horas surgiu justamente da necessidade de atender as pessoas que têm prazer de desenvolver sua atividade física à noite ou não têm tempo de se exercitar durante o dia por causa do trabalho", adianta Vereda.

ORGANISMO - Marcelo garante que não tem problemas de saúde por dormir apenas quatro horas por dia. "Meu organismo já se acostumou, pois estou nesse ritmo há quatro anos", diz. Solteiro, ele dá prioridade absoluta a sua realização profissional, sem grandes expectativas quanto à vida pessoal. "Fazer o que faço é o que me faz feliz. Não trabalharia à noite só pelo dinheiro", assegura.

  Mesmo para quem gosta do trabalho que realiza, nem tudo é prazer no turno da noite, especialmente porque ele também é o horário predileto de outro tipo de profissional: o do crime. "Já tive o meu carro arrombado enquanto estava de plantão", lembra o veterinário George Gustavo de Melo, 30 anos. Durante o dia, ele trabalha em sua própria clínica, a Planet Dog, em Piedade. Das 19h às 7h30 (em dias alternados), o veterinário atende na Pet Dream, clínica veterinária 24 horas, em Boa Viagem. "Quanto mais a gente trabalha, mais rápido fica reconhecido", diz Gustavo, que chega a incrementar em até 40% os seus rendimentos trabalhando à noite. Depois que virou metrópole, o Recife, de fato, já não dorme mais como antigamente.


Leia Mais...

Lei do trabalho prevê adicional







 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br