Edição de Sábado, 9 de Novembro de 2002
 
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Economia

Tecon pode perder acordo com portuário

Sindicato ameaça ir à Justiça por conta de suposta retaliação da empresa contra trabalhadores

O Sindicato dos Conferentes ameaça entrar na Justiça do Trabalho para cancelar o acordo coletivo feito com a empresa Tecon, responsável pela movimentação de contêineres no Porto de Suape. Segundo o presidente do Sindicato, João Luís de Sousa Filho, se a empresa continuar com retaliações junto aos trabalhadores, o Intersindical, que reúne oito sindicatos da área portuária, vai tomar providências mais enérgicas. O estopim para a briga foi a decisão da Tecon de entrar na Justiça para proibir o segundo turno de trabalho dos conferentes, prática usual. No próximo dia 14, o Justiça vai definir, em audiência com as duas partes, o parecer final sobre a questão.

  "Na verdade, a Tecon está querendo que o trabalhador se revolte e paralise o porto para encobrir os graves problemas de inadimplência e deficiência. Querem nos usar como desculpa para um problema que é muito maior", disse Augusto Evangelista, membro da Comissão Paritária do Órgão Gestor de Suape. Segundo ele, a empresa está querendo tirar o foco dos problemas administrativos, criando uma situação que empurre as categorias para uma greve. Até a audiência, os trabalhadores poderão dobrar o turno de trabalho, cada um com seis horas, segundo uma liminar concedida pela Justiça do Trabalho de Ipojuca.

  "Os trabalhadores não vão fazer greve. Somos solidários com a economia do Estado e dependemos do crescimento da movimentação do Porto para crescermos também. O que queremos de fato é discutir o contrato que temos com a Tecon", disse o presidente do Sindicato dos Conferentes, João Luís Filho. Ele lembrou que no acordo coletivo assinado com a empresa, os conferentes resolveram reduzir o preço do desembarque de cada contêiner em 35% inicialmente, em julho passado, e mais 27%, nos meses de janeiro, março e maio próximos.

  Antes da Tecon ter ganho a concorrência para explorar o terminal, cada contêiner desembarcado custava R$ 274,00. Hoje custa R$ 178,00 e ao final de maio próximo ficará por R$ 130,00. Segundo ainda a direção do Sindicato, para a Tecon a situação de greveé favorável porque a empresa ganha US$ 30,00 por dia, por cada contêiner. A direção da Tecon foi procurada pelo DIARIO, mas não retornou as ligações.

 


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