BRASÍLIA - A primeira pista para encontrar Pedrinho veio da internet, no último dia 20 de outubro. Uma mensagem eletrônica enviada à Missing Kids (uma ONG que trabalha em defesa de crianças e adolescentes, junto com o SOS Criança, da Secretaria de Ação Social do DF) contava a história de um garoto nascido em Brasília e adotado por uma família goiana. O denunciante, que tem a identidade preservada pela polícia, garantiu que se tratava de Pedrinho.
O SOS Criança encaminhou à polícia provas apontadas pela pessoa, como fotos e descrições do garoto e da família goiana. Os policiais foram a Goiânia, no endereço indicado pelo denunciante, um sobrado num bairro da classe média. Filmaram e fotografaram o adolescente. As imagens foram mostradas a Jairo Tapajós Braule Pinto, o pai de Pedrinho. O primeiro contato com o adolescente foi feito pela polícia, na noite da última quarta-feira, mas ele se recusou a fazer o exame de DNA para comprovar que Jairo e Auxiliadora seriam seus pais verdadeiros. O garoto temia pelo futuro da mãe adotiva. Achava que ela poderia ser presa, se ficasse confirmado que ele era o menino seqüestrado em Brasília.
Jairo ligou para o rapaz para acalmá-lo. Explicou que o crime havia prescrito há oito anos. Quem rapta um menor de idade, de acordo com a lei, só pode ser condenado e preso se o caso for julgado até oito anos após a data do crime.
resistência - O primeiro contato entre os dois se deu no início da manhã de quinta-feira. "Ele estava resistente, mas depois que expliquei os meus motivos, aceitou fazer o teste", disse o auditor. A pedido do adolescente, Jairo também conversou com a mãe dele. Garantiu a ela que pretendia apenas descobrir a verdade e que não vai pressionar o garoto a abandonar a família que o criou. "Eu só posso agradecer por ele ter sido bem criado", disse. Após muita insistência, a polícia colheu amostras de sangue para fazer o exame de DNA.