SÃO BERNARDO DO CAMPO - Um dia após reunir 120 pessoas entre empresários, sindicalistas e representantes de entidades civis para discutir a prioridade número um do Governo - combate à fome -, o presidente eleito pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, rebateu ontem críticas sobre o que alguns consideraram como excessivo número de pessoas convidadas para tratar do pacto social. Lula, otimista, considerou que o importante é abrir um canal de diálogo entre os vários representantes da sociedade.
Na porta de sua casa, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Lula disse pela manhã, enquanto distribuía autógrafos, que o pessimismo não terá espaço em seu Governo. "O mais importante é que estamos criando o hábito de fazer com que a sociedade brasileira possa dialogar. Estou muito otimista e acho que a gente pode fazer as coisas acontecerem no Brasil. Não há espaço para pessimismo", disse Lula.
O presidente eleito disse ter deixado o encontro de quinta-feira com a certeza de que empresários e trabalhadores estão dispostos a ajudá-lo. "Tenho sentido um otimismo muito grande por parte do trabalhador, e um maior ainda por parte dos empresários. Vamos fazer muita coisa pelo País. Sei que não vai ser fácil, mas também sei que vamos fazer".
Uma hora depois, já no comitê, Lula recebeu a visita do bispo de Duque de Caxias, no Rio, e coordenador do Conselho de Segurança Alimentar de Minas Gerais, Dom Mauro Morelli. No encontro, dom Mauro reiterou a necessidade de o programa de combate à fome considerar as diferenças regionais.
EXPLICAÇÃO - "Temos que valorizar o que o povo está fazendo com dedicação. Na região do semi-árido, por exemplo, temos projetos interessantes. Soube que alguém da equipe do Lula terá na próxima semana um encontro com representantes de várias organizações que trabalham naquela região", disse Dom Mauro, que nos últimos dois anos ajudou na construção do projeto Fome Zero, ao lado de técnicos do Instituto Cidadania, ONG ligada ao PT.
Dom Mauro disse que o programa passa por uma discreta reavaliação. Sem dizer que pontos estão sendo novamente estudados, disse: "É importante que haja mais diálogo, participação, críticas, busca de motodologia", argumentou.
As fãs de Lula o aguardavam quando ele saiu de casa. Uma delas, a dona de casa Angela Maria Pereira da Silva, pediu autógrafo e não se fez de rogada quando Lula pediu um papel para poder assinar. Pega de surpresa, Angela, que assim como Lula nasceu em Garanhuns, Pernambuco, pediu que o presidente eleito escrevesse em sua calça, na altura da coxa. Lula, meio sem graça, brincou. "Desse jeito você me compromete", disse ele, olhando para a janela de seu apartamento, onde estava Marisa, sua mulher.