Edição de Sábado, 9 de Novembro de 2002
 

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Brasil

Freire quer Ciro no ministério do PT

PPS pretende ter uma "participação crítica e independente" na administração de Lula

BRASÍLIA - O PPS anunciou ontem que apoiará o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, com uma "participação crítica e independente". A decisão foi tomada para contemplar principalmente o PPS gaúcho, que tem divergências regionais com o PT do Rio Grande do Sul e resiste à aproximação com os petistas. O tom a ser assumido pelo partido foi dado pela senadora eleita, Patrícia Gomes (PPS-CE), ex-mulher do candidato derrotado da Frente Trabalhista (PPS-PPB-PDT), Ciro Gomes (PPS). Já o presidente nacional do PPS, senador Roberto Freire (PE), optou pelo discurso diplomático e elogioso. "A participação no Governo Lula será honrosa", disse o parlamentar. Em seguida, acrescentou: "Será uma honra para o Lula ter um Ciro Gomes como ministro".

  A expectativa é que amanhã, durante a reunião das bancadas do Senado e da Câmara, Ciro Gomes defina como o partido deverá pôr em prática os conceitos de crítica e independência. Única senadora eleita pelo PPS, Patrícia Gomes resumiu como o partido deverá se comportar em relação ao Governo Lula. "Vamos apoiar o que for bom e teremos uma posição crítica sobre o que não concordarmos. Nós temos uma responsabilidade e a idéia é que podemos trabalhar e tomar decisões juntos", disse ela. Essa posição de crítica e independência deverá dominar as discussões que o PPS terá durante este fim de semana em Brasília. No domingo, deverão ser anunciadas as decisões finais do encontro.

  O PPS gaúcho resiste a declarar apoio incondicional ao Governo Lula porque trava uma batalha regional com o PT do Rio Grande do Sul, tanto é que no segundo turno das eleições no Estado, o partido apoiou o candidato do PMDB, Germano Rigotto, que derrotou o petista Tarso Genro. "O PT do Rio Grande do Sul é o que há de mais atrasado, é dos tempos das cavernas", afirmou o deputado Nelson Proença (PPS-RS). "Mas que fique claro: o PT do Rio Grande não tem nada em comum com o PT do Lula, do Antonio Palocci e do José Genoíno. Por isso eu acho que vale a pena dar um crédito de confiança", completou.

  Para o presidente doPPS, essas divergências serão resolvidas com tranqüilidade. Roberto Freire acha que o PPS deve colaborar com o PT, independentemente de ocupar cargos no futuro Governo: "Nós vamos cooperar com o Lula, pois há sinais muito positivos de que haverá um Governo de coalizão, numa demonstração de que o PT saiu daquela arrogância, em que acreditava que sozinho poderia governar".

  Empenhado em ganhar adeptos para o mesmo discurso, o líder do PPS na Câmara, deputado João Herrmann (SP), disse acreditar que a bancada dobrará dos 15 deputados eleitos para 30. Segundo ele, as conversas com integrantes do PFL, PSDB, PMDB e PPB têm avançado. "Não estou chamando ninguém para entrar no governo. Vir para o PPS é fazer parte de um processo", disse Hermann.

Comentários dos leitores

"Soa pendantismo a expressão: 'é uma honra para Lula ter Ciro gomes como ministro'. Como se pode participar de um governo, com participação em cargos adminstrativos com posiçào crítica e independente? Para ter essa posição qualquer partido não deveria assumir cargo no governo. Pois se o Partido aceitar integrar a administração deverá ter uma posição de confiança, responsabilidade e solidariedade na busca das soluções para os problemas do país. O partido, no governo, pode ser crítico internamente, discordar, ter independência para propor alternativas, mas não aceitar participar de uma administraçào e já ir dizendo que será crítica e independente. Quem quer ser independente não aceita integrar o governo.", Padre Antonio Moreno, por e-mail.








 

 
 
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