Edição de Sábado, 9 de Novembro de 2002
 

Início Diario de Pernambuco Brasil Brasília DF

Diario

Índice Geral
Expediente
Ed. Anteriores
Assinaturas
 

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Loterias




Brasil

Brasília DF

Resistindo às pressões

Arlete Salvador
E-mail: correiosp@terra.com.br

No PT e no próprio PL, avalia-se que a indicação do novo ministério deve ser feita o mais tarde possível, para evitar disputas internas e nomes plantados na Imprensa para favorecer ou detonar algum candidato em potencial

Há duas frentes de pressão sobre o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, para a composição do ministério. Uma delas vem dos empresários e de agentes financeiros e economistas. Desde antes da eleição, eles sugerem a Lula que indique logo a equipe econômica. Virou uma ladainha. A outra pressão vem dos aliados políticos, ansiosos pela definição do quinhão próprio de poder no novo governo. Enquanto a primeira reflui, a segunda cresce.

  A cantilena da urgência na indicação dos condutores da política econômica no governo Lula bateu no ridículo. Da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) à Febraban (Federação Brasileira de Bancos), passando por técnicos do governo Fernando Henrique Cardoso e jornalistas, só se falou nisso nas semanas após o segundo turno da eleição. Usaram-se argumentos dos mais diversos para insistir no tema. O mais recente lembrava que o grupo técnico indicado para compor a equipe de transição, todos integrantes do PT, é competente, porém desconhecido. Traduzindo: o problema já não era mais a urgência na indicação de algum nome, mas os próprios nomes.

  O mercado financeiro incluía mais um item na lista das qualificações exigidas para aceitar os integrantes do novo governo. Eles também devem ser famosos, como os artistas de televisão. Vale lembrar que muitos integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso, hoje nomes disputados por organismos internacionais e grupos privados, eram ilustres desconhecidos quando chegaram aos cargos. Aliás, um dos atrativos do serviço público para acadêmicos e profissionais da área privada, onde salários e benefícios são melhores, é o prestígio acumulado na função. Sempre será uma espécie de patrimônio para o futuro. Assim, cobra-se hoje da equipe de Lula a celebridade que poucos tinham no início do governo FHC ou de qualquer outro.

  O desempenho do mercado financeiro nesta semana, com nomes ou sem, famosos ou não, mostrou que a demanda pela composição da equipe econômica é falta do que fazer ou de críticas mais contundentes ao novo governo. Odólar recuou, a Bolsa de Valores de São Paulo subiu. O quadro econômico permanece incerto, mas já não dá mais para atribuir a responsabilidade da crise a Lula. Nesse quadro, a lengalenga pela definição do presidente do Banco Central e do ministro da Fazenda vai perdendo o vigor e o sentido.

  Já as pressões políticas para a composição do ministério do governo Lula são mais pesadas. No PL, aliado de primeira hora, há parlamentares sonhando com um número inacreditável de cargos. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, está se esforçando para conter a tropa. "O PT é um partido organizado. A participação do PL no governo será decidida no tempo certo", diz ele, repetindo discurso feito aos ansiosos integrantes de sua bancada na Câmara Federal. "Até agora, o Lula está fazendo tudo certo."

  No PT e no próprio PL, avalia-se que a indicação do novo ministério deve ser feita o mais tarde possível, para evitar disputas internas e nomes plantados na Imprensa para favorecer ou detonar algum candidatoem potencial. Teme-se que, anunciando a equipe muito antes da posse, alguns ministros sejam vítimas de muitos questionamentos, nem cheguem a assumir. Além disso, o PT está preocupado em atrelar a participação de aliados no governo a apoio consistente no Congresso Nacional.

  Embora o presidente eleito e seus assessores repitam que a maioria parlamentar poderá ser construída em torno de propostas pontuais para aprovação no Congresso, Lula quer uma base sólida, comprometida com o governo desde o começo, exatamente como fez o presidente Fernando Henrique Cardoso com o PFL. Escolado em anos de oposição, experiente no governo de várias grandes cidades do País e nos governos do Rio Grande do Sul e do Mato Grosso do Sul, o PT tem a dimensão exata dos problemas para governar sem essa maioria.








 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br