Edição de Sábado, 9 de Novembro de 2002
 

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Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha está convalescendo da sua última operação plástica. Diz que a cada nova plástica perde não só alguns anos, mas a memória destes anos. Por isto, além de não reconhecer seu atual marido e expulsá-lo de casa, tem dado boas risadas ao saber que foi candidata nas recentes eleições presidenciais. E precisou ser reanimada quando lhe contaram quem venceu: como Deus II (que é como ela chama o Pitanguy) desta vez lhe tirou dez anos, a última lembrança que ela tinha era a do Lula de 92, tentando decidir se se candidatava de novo ou voltava pra fábrica.

  Dorinha reorganiza a sua ONG, as Socialaites Socialistas, que antes se batia pela implantação no Brasil do socialismo na sua fase mais avançada, que era o seu fim, mas hoje está disposta a ser convencida que errou, principalmente pelo Mercadante, talvez num jantar com velas. E estranha ainda não ter sido chamada para... Mas deixemos que ela mesma nos conte.

  "Caríssimo! Beijos cuidadosos, ainda estou com os pontos. Muito estranho as Socialaites Socialistas não terem sido convocadas para as reuniões do pacto, com o Governo eleito, em Brasília. Eu não poderia ir (quando sorrio levanta um pé, o que poderia ser mal interpretado), mas a minha equipe - Tatiana (Tati) Bitati, Monica (Mo) Vimento, Débora (Dé) Bito e Kiki (Ki) Kiki - já tinha até comprado roupa.

  Teríamos muito a contribuir para um pacto social com a nossa experiência, especialmente em questões delicadas como do uso do telefone pelas empregadas. Apesar do descaso, no entanto, espero ajudar na transição e pretendo começar uma série de seminários sobre o comportamento correto no nosso meio nos próximos anos, coisas como onde esconder a prataria em caso de visita de um comissário e a colocação errada do artigo na frase para evitar suspeita de elitismo.

  Se bem que, com esse clima de entendimento geral no ar, tenho a impressão que não vou precisar dar meus anéis nem para o governo nem para qualquer cruzada contra. Da tua, esperando desinchar até a festa da posse Dorinha."








 

 
 
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