Um alerta aos que lutam contra a balança. O Consenso Latino Americano de Obesidade está fazendo uma análise crítica dos tratamentos medicamentosos de emagrecimento prescritos em consultórios, a partir de um estudo em cima de publicações científicas originalmente divulgado em 1998 e recém-revisado. São números contundentes: das mais de duzentas substâncias presentes em remédios vendidos nas farmácias brasileiras, apenas sete têm alguma comprovação científica, das quais só duas na categoria "primeira linha".
A resposta para o sucesso comercial desses medicamentos é a desinformação, segundo o endocrinologista carioca Walmir Coutinho, coordenador da Força Tarefa Latino-Americana contra a Obesidade e um dos organizadores dos Cursos Avançados de Tratamento da Obesidade, realizados em algumas capitais brasileiras, na intenção de diminuir os equívocos cometidos por médicos, nutricionistas, preparadores físicos e até psicólogos em nome do emagrecimento - o módulo recifense aconteceu na última semana.
"Há uma grande contradição. Ao mesmo tempo em que o Brasil é um dos países mais avançados em termos de prevenção da obesidade, adota tratamentos controvertidos", declara o especialista, lembrando os resultados obtidos com programas como o Escola Saudável, que introduz hábitos alimentares saudáveis no universo das crianças e adolescentes. "Já temos dados positivos de regressão da obesidade na região Sul do país, por exemplo. E, mais do que relacionados à classe social, essa tendência está ligada à educação".
Embora remédios como o Reductil e o Plenty, nomes comerciais da Sibutramina, e o Xenical, marca da Orlestate, chamados medicamentos de "primeira linha", sejam caros para o consumidor médio brasileiro, não é o preço que explica a boa receptividade às substâncias que estão no mercado sem o aval das sociedades científicas. "O que atrai os pacientes, na maioria das vezes, é a velocidade de resultados. Só que além de todos os riscos com os efeitos colateriais durante o tratamento, a pessoa recupera rapidamente o pesoperdido, às vezes ganhando até mais", esclarece Walmir Coutinho.
controle - As susbtâncias apontadas pelo estudo do Consenso Latino Americano de Obesidade trazem em suas formulações derivados de anfetaminas e hormônios tiroideanos, que causam dependência e podem provocar de arritmias cardíacas à osteoporose. "O problema é que o Brasil não tem uma legislação rígida para o licenciamento desses medicamentos, ao contrário dos países europeus", situa o endocrinologista pernambucano Gustavo Caldas. É importante que se saiba, diz ele, que essas substâncias simplesmente não funcionam.
"Ainda não existe remédio que elimine a gordura do organismo. O Xenical, por exemplo, reduz em 30% a absorção de gordura, e só", explica o especialista. "Já a Sibutramina funciona como um sacietógeno, saciando o apetite do paciente". Gustavo Caldas diz ainda que não se deve acreditar em fórmulas milagrosas, ressaltando que os remédios são apenas coadjuvantes. "Os medicamentos retiram entre 5 a 15% do peso, e é bom lembrar que temos pacientes que não respondem à medicação, cerca de 30%", declara o médico. Ele garante, a prevenção ainda é o melhor remédio.