(Atualizado no dia 28/10/2002)
 
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E cadê aquela roupa do catálogo?

Coleções demoram a chegar nos pontos de vendas em função de engrenagens e estratégias de mercado

Phelipe Rodrigues
Da equipe do DIARIO



Depois dos desfiles, a estratégia mais eficiente para induzir nosso desejo de ter uma roupa é apresentá-la em catálogos, outdoors e no corpo de gente famosa. Tanto que nos faz correr até a loja procurando o vestido que Luíza Brunet usou na Caras da semana passada. E muitas vezes, a vendedora, impiedosa, diz: "Ele só vai estar disponível para compra daqui a dois meses". Antes de ficar furiosa, culpando o lojista e achando que mora na mais atrasada das províncias, conheça como se dá a chegada de uma coleção às araras.

  No caso das criações de primavera-verão, o comprador vai ao showroom e faz o pedido em julho, quase simultâneo à apresentação na passarela. "Escolhemos alguns ou quase todos aqueles looks do desfile e esperamos que sejam entregues de agosto até dezembro. Ao contrário do que se imagina, não chega tudo de uma só vez, mas espaçado", explica a empresária Cristiana Pontual, da Avesso. O fabricante decide quais serão as modelagens e estampas que devem ser trabalhadas primeiro.

  Dessa forma, ficadifícil que uma padronagem de setembro volte no fim do ano. "Muita gente questiona se o vestido ou calça que gostaram, mas já foram vendidos, vai chegar de novo. Fica complicado porque as peças não podem se repetir. Isso acaba cansando o olho de quem freqüenta muito a loja", completa Cristiana. Outra preocupação é a quantidade de modelos iguais de uma marca em cada cidade. "Mesmo sabendo que ele vai estar na campanha de divulgação e que vão ser mais procurada, temos de fazer um controle para não sair clonando as consumidoras", orienta.

IGUAIS - "A pessoa mais indicada para decidir quanto de cada coisa levar é mesmo o dono da loja. Ainda que sabendo o número de habitantes dos lugares, não conhecemos a vida noturna e quem freqüenta as festas", argumenta Roberta Nahas, responsável pelo estilo da Spezzato. Em cidades como São Paulo, com milhares de barzinhos e tribos diferentes, a probabilidade de fazer par de vaso é mínima, segundo Nahas. "No interior, quando as opções são dois ou três locais bacanas para sair, a coisa muda".

  O que os lojistas fazem com mais freqüência é triplicar a requisição da roupa promovida em revistas e TVs, em relação àquelas que não foram para o catálogo. "Mas às vezes acontece dessa peça não vir mesmo. Há produtos que são caros demais, fungindo da realidade dos clientes. E há ainda aqueles que não combinam muito com o nosso consumidor", informa o gerente da Zoomp no Shopping Recife, Cláudio Carneiro. Para não correr risco, o ideal, segundo ele, é misturar bem conceito - o lado mais vanguarda, que serviu para nortear a criação do estilista - e o vendável.

  

acertos - Por exemplo, cintura baixa e boca larga são coisas que saem sempre. "É uma característica de consumo do nosso público. Embora ache necessário manter algumas calças de cós alto por estarem voltando. Gente que se liga em tendência vai procurar. Com as retas e ajustadas fazemos o mesmo", esclarece Cláudio. Fora essas leis do mercado de moda, existem as surpresas. "Deixamos de pedir algumas coisas por pensar que não serão aceitas. Mas isso até que elas apareçam na TV e as vendas estourem", situa.

  Para que o vendedor não venha com aquela péssima resposta que abre o texto, a confecção pode fazer o seguinte: ligar para os gerentes avisando que uma atriz vai usar o modelón, pedindo cópias a mais. "Ideal é produzí-lo antes de qualquer outro, para não decepcionar a consumidora", ensina Roberta Nahas, lembrando que essa é a política da grife. Ainda é preciso ficar ligada nas novidades que chegam de novembro até fevereiro - a coleção de alto-verão - e não aparece no catálogo. "Nesse time, estão os vestidos de festa bem vaporosos e a linha praia, com muito shortinho, jeans e sarja", conclui a estilista da Spezzato.








 

 
 
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