Cinema
Se deu certo da primeira vez, por que mudar? Pequenos Espiões 2 - A Ilha dos Sonhos Perdidos (Spy Kids 2, EUA, 2002) repete a fórmula utilizada no filme que inaugurou a série Spy Kids, o elenco, o diretor e chega às telas hoje com uma única diferença: ao contrário do anterior, teve as imagens captadas em vídeo digital e posteriormente ampliadas para película.
Isso só reforça o clima de projeto caseiro de Robert Rodriguez, texano de ascendência latina que ganhou fama por dirigir El Mariachi (1993) com apenas US$ 7 mil dólares (obtidos numa experiência médica da qual participou como cobaia) e desde então fixou-se em Hollywood, onde rodou A Balada do Pistoleiro (1995), Um Drink no Inferno (1996) e The Faculty (1998). Por "caseiro" não entenda tosco, e sim de casa. Ele escreveu o roteiro, editou, sonorizou, fotografou e dirigiu Pequenos Espiões 2. Logo, o filme só poderia ter sua cara.
E que cara é essa? Uma trama de fácil assimilação, capitaneada, mais uma vez, pelos irmãos Carmem e Juni Cortez (AlexaVega e Daryl Sabara), personagens dividos em do bem e do mal, engenhocas que agradam as crianças na platéia e ainda elementos fantásticos para prender a atenção. Nesse caso, são umas criaturas híbridas, criadas por um cientista maluco vivido por Steve Buscemi. As bestas moram numa ilha para onde é levada a herdeira do presidente dos Estados Unidos e Carmem e Juni tomam o lugar dos pais (Antonio Banderas e Carla Gugino) para salvá-la.
No final da sessão, não fica claro o que significa OSS, nome da organização para qual trabalham os espiões mirins, ou o que fazem no filme atores como Buscemi. Mas é nítida a orientação de Robert Rodriguez, que busca a risada pela risada para fascinar uma platéia que, a priori, deve ser composta predominantemente por crianças para haver alguma graça durante a projeção. (L.V.)