Redatores de site lançam antologia hoje na Bagaço
Luciana Veras
Da equipe do DIARIO
J.L. Munguba avisa logo: são contos para se ler em qualquer lugar e em qualquer hora, longe da tela de computador que os abrigava antes. O formato muda, mas a temática amedrontadora, claro, permanece a mesma em Histórias Medonhas d'O Recife Assombrado, livro que será lançado nesta sexta, às 20h, na sede das Edições Bagaço, no Poço da Panela - bairro onde reside o pesquisador e estudioso Munguba, um dos colaboradores do Recife Assombrado (www.recifeassombrado.com.br).
No ar há dois anos, o site virou referência em assuntos assustadores, horripilantes e fantasmagóricos. É o primeiro a catalogar experiências com almas penadas e outras assombrações do gênero no Estado. Nascido das conversas dos amigos Roberto Beltrão, André Felipe de Andrade e Sérgio Barza, começou como um fanzine no início dos anos 90; hoje, transcende as fronteiras da Internet para cair, literalmente, nas mãos dos leitores. "É uma espécie de compilação. No livro, não houve lógica e foram escolhidas as melhores histórias que nos eram mandadaspelo site", explica André, autor de alguns dos contos do volume.
Sim, porque as tais Histórias Medonhas se dividem nos relatos enviados por internautas, gente desesperada para compartilhar visões soturnas de espectros ou aparições inexplicáveis, e nos textos escritos pelos três produtores do site, pelo repórter policial João Carvalho ou por fantasm, ops, convidados especiais. "Os contos são um estímulo à imaginação", diz o jornalista Beltrão, autor de uma interessante comparação. "As histórias de assombração são muito semelhantes às anedotas. Todo mundo as conhece, cada um sai contado e daqui a pouco elas já são diferentes. Publicamos as melhores histórias que ouvimos, sem saber se são verdadeiras ou não".
Ao leitor, resta criar coragem para não tremer e sorver, em um trago só, de preferência, os causos narrados nas 126 páginas, que perpassam ícones do medo como a brincadeira do copo, a Perna Cabeluda, os amigos imaginários, as mulheres-fantasma das estradas, maldições, cadáveres falantes e ainda casas ocupadas por vultos. Eles são apresentados pelo dr. Munguba, que redigiu as orelhas do livro e, segundo Roberto Beltrão, pode até dar uma passadinha na festa desta sexta-feira, que não é 13 mas é véspera de Finados. "Ele mora ali pertinho, quem sabe não aparece?", insinua Beltrão. Seria o auge da noite e a benção da autoridade no sobrenatural que até hoje nunca foi vista, mas tem participação importante nas Histórias Medonhas d'O Recife Assombrado.