(Atualizado no dia 29/10/2002)
 
Início Diario de Pernambuco Viagem De campo de concentração a memorial

Diario

Índice Geral
Expediente
Ed. Anteriores
Assinaturas
 

Cadernos

Política
Brasil
Mundo
Economia
Esportes
Vida Urbana
Viver
 

Suplementos

Revista na TV
Empregos
Viver Mulher
Viagem
Informática
Saúde
Carro
Imóveis
 

Serviços

Loterias

 

Viagem

De campo de concentração a memorial

A poucos quilômetros de Weimar, Buchenwald chegou a ser a prisão mais importante do regime nazista

Filmes açucarados como A Lista de Schindler e a Vida É Bela já fizeram o mundo chorar pelo destino dos milhares de judeus, homossexuais e presos políticos nos campos de concentração nazistas. Mas nenhum sentimento despertado por uma película pode se comparar à sensação de andar com os próprios pés por um destes locais, que serviram aos piores episódios da barbaridade humana no século passado. A poucos quilômetros da cidade de Weimar, o campo de concentração de Buchenwald foi mantido como um memorial a estes acontecimentos. Um local difícil de se esquecer, que costuma deixar lágrimas nos olhos dos seus visitantes.

  Construído em 1937, Buchenwald foi o terceiro campo de concentração erigido em território Alemão e chegou a ser o centro mais importante da SS (o exército nazista) no estado da Turíngia, abrigando seis mil soldados. Oficialmente, serviria apenas como centro de trabalho, e não de extermínio - fim para o qual foi construído Auchwitz, por exemplo. Mesmo assim, dos 250 mil prisioneiros levados para láaté 1945, cerca de sessenta mil morreram por causa das más condições a que eram submetidos: fome, frio, doenças e maus-tratos. Este ano, um sobrevivente de Buchenwald foi agraciado com o prêmio Nobel de literatura por sua obra autobiográfica, em parte inspirada pelo tempo passado neste campo. O judeu-húngaro Imre Kertész, 72 anos, esteve em Buchenwald entre de 1944 e 1945, com apenas 15 anos de idade.

LEMBRANÇAS - Como memorial, Buchenwald preservou alguns edifícios originais, embora grande parte deles tenha sido destruído no período em que ficou sob administração soviética, do final da Guerra até 1950. Dentre o que permaneceu, está o crematório e sala de patologia. Embaixo deste edifício, no porão, o local onde oito mil prisioneiros de guerra soviéticos foram exterminados em série: eles entravam no lugar pensando que iam ser apenas submetidos a exames médicos, e eram executados com um tiro de fuzil na nuca ao encostar na parede para fazer medição de altura. Na régua que marcava a metragem, havia uma portinhola camuflada, por onde um agente da SS dava o tiro de misericórdia. O corpo era rapidamente recolhido enquanto o outro "paciente" entrava na "sala de exame".

  Também é original o prédio onde os prisioneiros deviam deixar seus pertences antes de serem encaminhados aos alojamentos. Hoje, ele é usado como um grande museu com exposição sobre a história de Buchenwald. São dois andares repletos de fotografias, documentos e objetos de uso pessoal dos prisioneiros e oficiais nazistas. É difícil manter a impassividade à medida que se avança pela exposição. É como um soco no estômago de quem só conhecia os campos pelos filmes de Hollywood.

  No edifício ao lado - antes o local onde os internos eram forçados a tomar banho com jatos de um poderoso desinfetante - está uma galeria de arte com peças produzidas pelos próprios prisioneiros. Pinturas em pedaços de papel, pano e paredes, escondidas a todo custo da vigilância nazista, que conseguiram sobreviver ao holocausto e hoje são documento importante do episódio.

  Umdetalhe na entrada do campo de prisioneiros talvez seja a coisa mais cruel em Buchenwald. No pesado portão de ferro, a inscrição jedem das seine ("a cada um, o que merece") resume uma xenofobia absurda, que levou o Mundo à pior guerra de sua História.


Voltar






 

 
 
Sua Opinião


Copyright 2001 - Pernambuco.com

Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização.
diario@dpnet.com.br