A poucos quilômetros de Weimar, Buchenwald chegou a ser a prisão mais importante do regime nazista
Filmes açucarados como A Lista de Schindler e a Vida É Bela já fizeram o mundo chorar pelo destino dos milhares de judeus, homossexuais e presos políticos nos campos de concentração nazistas. Mas nenhum sentimento despertado por uma película pode se comparar à sensação de andar com os próprios pés por um destes locais, que serviram aos piores episódios da barbaridade humana no século passado. A poucos quilômetros da cidade de Weimar, o campo de concentração de Buchenwald foi mantido como um memorial a estes acontecimentos. Um local difícil de se esquecer, que costuma deixar lágrimas nos olhos dos seus visitantes.
Construído em 1937, Buchenwald foi o terceiro campo de concentração erigido em território Alemão e chegou a ser o centro mais importante da SS (o exército nazista) no estado da Turíngia, abrigando seis mil soldados. Oficialmente, serviria apenas como centro de trabalho, e não de extermínio - fim para o qual foi construído Auchwitz, por exemplo. Mesmo assim, dos 250 mil prisioneiros levados para láaté 1945, cerca de sessenta mil morreram por causa das más condições a que eram submetidos: fome, frio, doenças e maus-tratos. Este ano, um sobrevivente de Buchenwald foi agraciado com o prêmio Nobel de literatura por sua obra autobiográfica, em parte inspirada pelo tempo passado neste campo. O judeu-húngaro Imre Kertész, 72 anos, esteve em Buchenwald entre de 1944 e 1945, com apenas 15 anos de idade.
LEMBRANÇAS - Como memorial, Buchenwald preservou alguns edifícios originais, embora grande parte deles tenha sido destruído no período em que ficou sob administração soviética, do final da Guerra até 1950. Dentre o que permaneceu, está o crematório e sala de patologia. Embaixo deste edifício, no porão, o local onde oito mil prisioneiros de guerra soviéticos foram exterminados em série: eles entravam no lugar pensando que iam ser apenas submetidos a exames médicos, e eram executados com um tiro de fuzil na nuca ao encostar na parede para fazer medição de altura. Na régua que marcava a metragem, havia uma portinhola camuflada, por onde um agente da SS dava o tiro de misericórdia. O corpo era rapidamente recolhido enquanto o outro "paciente" entrava na "sala de exame".
Também é original o prédio onde os prisioneiros deviam deixar seus pertences antes de serem encaminhados aos alojamentos. Hoje, ele é usado como um grande museu com exposição sobre a história de Buchenwald. São dois andares repletos de fotografias, documentos e objetos de uso pessoal dos prisioneiros e oficiais nazistas. É difícil manter a impassividade à medida que se avança pela exposição. É como um soco no estômago de quem só conhecia os campos pelos filmes de Hollywood.
No edifício ao lado - antes o local onde os internos eram forçados a tomar banho com jatos de um poderoso desinfetante - está uma galeria de arte com peças produzidas pelos próprios prisioneiros. Pinturas em pedaços de papel, pano e paredes, escondidas a todo custo da vigilância nazista, que conseguiram sobreviver ao holocausto e hoje são documento importante do episódio.
Umdetalhe na entrada do campo de prisioneiros talvez seja a coisa mais cruel em Buchenwald. No pesado portão de ferro, a inscrição jedem das seine ("a cada um, o que merece") resume uma xenofobia absurda, que levou o Mundo à pior guerra de sua História.