Visitar o Leste da Alemanha é conhecer de perto o ressurgimento de algumas das mais belas cidades do país
Renata Beltrão
enviada especial
Quem já visitou a Europa vai perceber que as cidades da Alemanha Oriental têm uma cara diferente. Meio envelhecidas, elas mostram suas rugas em forma de monumentos enegrecidos pelo tempo, coisa rara em um continente que prima pela manutenção de seu patrimônio. Apenas 13 anos de reintegração ao território ocidental ainda não foram suficientes para uma maquiagem caprichada, mas aí está o charme de se visitar o leste alemão: ver renascendo das cinzas, aos poucos, algumas das mais belas cidades da Alemanha.
Dresden, no estado da Saxônia, é o grande exemplo disto. Praticamente destruída em fevereiro de 1945, a cidade conseguiu restabelecer sua reputação como centro cultural. Às margens do rio Elba, Dresden concentra um dos mais belos conjuntos arquitetônicos da Europa - edifícios do antigo centro da cidade, que felizmente escaparam das bombas. Ou quase: atingida durante a Guerra, a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) está sendo restaurada somente agora, com doações dos visitantes. Construída no século XVIII,ela é considerada o símbolo da cidade e por muito tempo foi o principal ponto de referência de seus habitantes.
OPERA - A poucos metros da Frauenkirche, a Opera de Dresden se ergue imponente em um pátio. Em seu estilo renascentista italiano, o prédio foi um dos primeiros teatros permanentes construídos no Norte da Alemanha. No caminho, o visitante vai encontrar um painel de porcelana com 102 metros de comprimento, chamado A Procissão dos Príncipes. Para quem se interessa pela História da Europa, é um prato cheio: o painel retrata cem anos de uma dinastia, mostrando 35 duques e reis montados à cavalo, com roupas e armas de cada época, seus nomes e apelidos.
Nada talvez seja mais impressionante do que a galeria de arte Zwinger. Já restaurado, o prédio agora tem a aparência de quando foi construído, em 1710, pelo rei Frederico Augusto I. Grande admirador da arte, Augusto, o Forte, como também ficou conhecido, conseguiu reunir em sua galeria algumas das mais famosas peças do Mundo. Dentre elas, a obra renascentista A Madona Cistina, do pintor Rafael.
Infelizmente, parte deste patrimônio está indisponível ao público. Por conta das enchentes que atingiram o leste Europeu em agosto, a Galeria dos Velhos Mestres está fechada para reformas. Mas há outras opções no Zwinger: o Salão de Física e Matemática, com uma coleção de relógios datados até o século XV; o Salão de Cerâmicas, com uma das mais importantes coleções; o Museu Histórico, com uma exposição de armas cerimoniais utilizadas por reis e príncipes da Saxônia em caças e torneios. Tudo isto além do próprio prédio do Zwinger, construído nos estilos neorenascentista e barroco, com um grande pátio de gramados e fontes que o tornam um excelente local até para um passeio despretensioso.
A jornalista viajou a convite do Goethe Institut Inter Nationes