Edição de Sexta-Feira, 1 de Novembro de 2002
 
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SES decide continuar a distribuir camisinha Eros

Sete lotes do produto foram entregues à população sem selo do Inmetro

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) continuará a distribuir em suas unidades as camisinhas Eros, produzidas na fábrica coreana Dong Kuk Trading. Os preservativos da marca vão ser repassados à população, apesar de sete lotes do produto terem sido condenados em testes de qualidade realizados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e, por conta disso, proibidos esta semana de serem vendidos no Estado, por determinação do próprio secretário de Saúde, Guilherme Robalinho.

  Dos sete lotes condenados, a SES tinha comprado em setembro camisinhas pertencentes a dois deles, que somavam 600 mil unidades. A compra, feita mediante licitação pública, custou cerca de R$ 90 mil. Por conta de problemas na qualidade do preservativo - que pode se romper com mais facilidade - a Secretaria teve que interromper a distribuição quando cerca de 188 mil já tinham sido entregues aos usuários das unidades de saúde. "O que ainda não tinha sido distribuído (cerca de 400 mil camisinhas) foi substituído pela empresa distribuidora das camisinhas (Trade Center). Esses novos preservativos vão ser entregues à população porque, ao contrário dos outros, passaram nos testes de qualidade", informou o diretor da Vigilância Sanitária Estadual (VSE), Jaime Brito.

  O trabalho de rastreamento e busca das 188 camisinhas distribuídas em setembro começou na semana passada. Desse total, 100 mil já foram recolhidas e devolvidas à Secretaria Estadual de Saúde. O restante (88 mil unidades) ainda está sendo rastreado. "Não temos esperança de reaver muita coisa. Se essa carga já está nas mãos da população, dificilmente vamos tê-la de volta", completou Jaime Brito. Além de tentar localizar as camisinhas entregues pelas unidades públicas de saúde, a VSE também está tentando localizar os preservativos pertencentes aos outros cinco lotes condenados. Esta carga está estimada em cerca de 3 milhões de unidades.

PREJUÍZOS - O Departamento Jurídico da SES será acionado caso algum usuário das camisinhas Eros distribuídas nas unidades de saúde se sinta prejudicado ou tenha como comprovar que contraiu alguma doença - até mesmo que tenha ocorrido uma gravidez - por confiar na qualidade do preservativo. "Estamos com a consciência tranqüila quanto a essas ações que possam ser movidas. A responsabilidade não foi nossa. A empresa que nos repassou as camisinhas garantiu a qualidade do produto", declarou Brito.

  Em função da conduta de repassar um produto reprovado pelo controle de qualidade, a Trade Center está respondendo por uma infração sanitária. Depois de concluídas as investigações da VSE, a empresa pode ser multada ou até ter a licença de funcionamento suspensa.








 

 
 
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