Exame, feito a partir da 24ª hora de vida do bebê, é rápido e indolor
Ana Braga
Da equipe do DIARIO
Toda mãe conhece o teste do pezinho. Mas e o da orelhinha? Tão importante quanto o primeiro exame, o da orelhinha ou ouvidinho pode detectar qualquer problema de audição na criança. E quanto mais cedo diagnosticada a deficiência desse sentido, menor o prejuízo no desenvolvimento do pequeno. Pouca gente sabe, mas a incidência de surdez ao nascimento é significativa, sobretudo quando comparada as de patologias observadas no teste do pezinho.
O teste da orelhinha é tecnicamente conhecido por Emissões Otoacústicas Evocadas. Apesar do palavrão, o exame tem execução bastante simples. "Ele é rápido, não invasivo e totalmente indolor. Pode ser feito antes mesmo da alta hospitalar, a partir da 24ª hora de vida do bebê, com ele em sono natural. Dura entre cinco e dez minutos", conta a fonoaudióloga Cristiane Zilbermintz. Já no local, o profissional que aplicou o teste interpreta o resultado. "Quando o ouvido não reage aos estímulos emitidos pelo aparelho, é sinal de que há falha", adianta Cristiane. Com a também fonoaudióloga Andréa Muniz, Cristiane implantou no Imip o primeiro Programa de Triagem Auditiva de Pernambuco, que compreende o teste da orelhinha e outras ações pela saúde auditiva da criança, como colocação de prótese.
A única filha do casal Daniela e Daniel Pimenta, de 27 e 28 anos, nasceu com falhas nos dois ouvidos, há pouco mais de um ano. Mas até saberem disso, três meses se passaram, desde o nascimento da pequena. "Quem percebeu que algo estava errado foi a babá, que, graças a Deus, é muito experiente", lembra Daniela. "Confesso que a gente não conhecia o teste do pezinho e o pediatra também não o recomendou. Aconselhados pela família, procuramos outro médico, que solicitou o exame e hoje corremos atrás do prejuízo. Minha filha está usando uma prótese e tem acompanhamento de uma fonoaudióloga", conta. Segundo dados do National Center for Hearing Assessment and Management (Ncham), em cada dez mil crianças recém-nascidas, trinta apresentam surdez, 2,5 têm hipotiroidismo, duas, anemia falciforme e uma,fenilcetonúria - as três últimas patologias podem ser observadas no teste do pezinho.
O ideal é que a criança nascida com deficiência auditiva receba o diagnóstico até os três meses de idade e que a intervenção (colocação de prótese ou cirurgia de implante de cóclea, órgão mais importante da audição) aconteça até os seis meses. "Quanto menor o tempo de perda, de privação do sentido, mais protegido fica processo da fala, da comunicação da criança. O primeiro ano de vida é considerado o período optimal para o desenvolvimento dela", orienta Cristiane Zilbermintz.
RISCOS - Vários fatores podem contribuir para a deficiência auditiva congênita. "Doenças contraídas pela mãe durante a gestação põem em risco a saúde geral do bebê. As que comumente atingem a audição do neném são rubéola, sífilis, herpes e citomegalovírus, principalmente se acontecem no primeiro trimestre", adverte o pediatra Paulo Henrique Cavalcanti. "A falha pode ser também hereditária", acrescenta. O consumo de álcool, medicamentos e drogas ilíticas pela mãe potencializam o perigo. Existe ainda a deficiência sem causa conhecida ou ideopática. "O pior é que muitos pais e até mesmo médicos ignoram essas informações e não realizam o teste", conta.
No Recife, o teste da orelhinha está disponível na rede pública, pelo Hospital das Clínicas (HC), e na rede privada, pelo Imip, Hospital De Ávila, Português, Santa Joana, Hope/ Esperança, Sabin, Prontolinda e Centro de Diagnóstico e Reabilitação Auditiva de Pernambuco (Cedrape). Apenas no HC e Imip o exame é gratuito - nos outros custa em média R$ 40. A doação de próteses auditivas para crianças atendidas na rede pública acontece no Imip e no Hospital Agamenon Magalhães.
Serviço
Imip - 3413.2317
Hospital das Clínicas - 0800.811223
Hospital Agamenon Magalhães - 3267-1679