A Pequena Órfã, de 1968
Em 1968 estreava na TV Excelsior a novela A Pequena
Órfã, de Teixeira Filho, no horário das 18h30. A trama girava em torno
da doce menina Toquinho (Patrícia Aires, filha do ator Percy Aires),
que foi abandonada pelos pais e, ainda por cima, acabava caindo nas
garras da megera Dona Elza (Riva Nimitz). Ela só encontrava amparo
e carinho nos braços do velho Gui (Dionísio Azevedo), que para alegrar
o triste coração da menina cantava uma musiquinha. A letra era assim:
"Mandei fazer um barquinho// de papel, de papelão// pra levar o meu
benzinho// pra dentro do coração".
Com isso o público, junto com a garota, se envolvia e se desfazia
em lágrimas. A novela fez um grande sucesso na época. Anos mais tarde,
depois da falência da Excelsior, a TV Globo reapresentou a novelinha
e novamente agradou em cheio. Como todas as histórias exibidas nessa
época, ela foi ao ar em preto-e-branco e teve alguns problemas com
o elenco. Foi o caso de Patrícia Aires, que não foi até o final da
trama, o que obrigou a produção a tomaruma atitude drástica para não
ter que tirar a novela do ar. Na falta de uma menina de quatro anos,
idade de Patrícia, que pudesse viver o papel, contrataram a jovem
goiana Marize Ney, que era muito parecida com a intérprete anterior.
Mas tinha um problema: a nova contratada era três anos mais velha...
A solução encontrada pelo autor foi fazer uma rápida passagem de
tempo. Então, três anos depois, a vidinha de Toquinho continuava como
antes: órfã e sofrendo na mão da bruxa má. A atriz Nádia Lippi também
interpretou a personagem, porém, já com 11 anos. Mesmo com todas as
mudanças, o público permaneceu fiel à trama, criando um movimento
em todas as emissoras que se sentiam abaladas pelo sucesso da concorrente.
Afinal, sem querer desmerecer o texto de Teixeira Filho, criança na
TV, no teatro, ou no cinema é sempre um sucesso. No elenco Hemílcio
Fróes, Ruthinéa de Moraes, Rachel Martins, João José Pompeo, Arnaldo
Weiss e Roberto Maya, entre outros.
Comentários dos Leitores
Só para tranquilizar: Patrícia Ayres
não deixou de participar da novela por motivo de morte. Tanto
assim que numa revista dedicada a adolecentes, cujo nome infelizmente
não me lembro, mas que saiu no ano de 1978, tinha um artigo
por título: " A pequena órfã - dez anos
depois" E lá vinha uma entrevista com ela e fotos (ela
continuava bonitinha!). Mas o pai dava toda a pinta de que não
pretendia que a filha atuasse como atriz até que completasse
seus estudos e ela própria dizia que aos dezesseis já não
produziria o impacto que teve quando era menina. O motivo pelo qual
ela não continuou na novela "oficialmente" foi que
Percy Ayres considerou que certas cenas com a filha estavam muito
brutas, sendo que numa delas, Patrícia acabou machucada e
embora tenha sido contratado um trabalho de 4 horas por dia aos atores
mirins, ela trabalhava 8. Se alguém notou algo estranho nessas
justificativas, acertou. Afinal, com aquela audiência, Percy
faria os donos da Excelsior comerem na sua mão. Era só questão
de negociar a coisa. A verdade foi confessada por Paulo Machado de
Carvalho, que está no livro Roberto Carlos em Detalhes: De
fato, e há um outro episódio que ilustra bem como a
direção da emissora não via limites quando o
assunto era a briga pela audiência. Em julho de 1968, a TV
Excelsior estreou no horário das seis horas a novela A pequena órfã,
um dramalhão sobre uma criança desprezada pelos pais.
Escrita por Teixeira Filho, a novela despontou com grande sucesso,
incomodando bastante a TV Record. Aquele horário normalmente
era dominado, pela Excelsior, mas a audiência de A pequena órfã estava
extrapolando. Foi então que Paulinho de Carvalho decidiu jogar
duro para não perder feio. A protagonista da novela era a
menina Patrícia Aires, em seu primeiro trabalho na televisão
e já conquistando grande simpatia do público. Paulinho
Machado de Carvalho se reuniu então com os irmãos e
disse que a solução seria justamente tirar aquela jovem
atriz da novela, pois isto quebraria a história e a TV Excelsior
perderia a audiência. Mas como fazer isto? O próprio
ex-dono da Record relata: "Aí eu falei: só tem
uma maneira, vamos sumir com essa menina, raptá-la. Chamamos
o pai dela, o ator Percy Aires, que era meio malandro também,
e lhe oferecemos algum dinheiro. Ele aceitou e nós sumimos
com a menina". A produção da novela entrou em
polvorosa porque a atriz desapareceu das gravações
sem dar qualquer explicação. Nem ela nem seus pais
foram localizados pela TV Excelsior. "Mandamos a menina e os
pais para Buenos Aires", entrega-se Paulinho Machado de Carvalho.
Nas duas primeiras semanas, a novela se arrastou sem a sua atriz
principal. Enquanto isso, os dirigentes da TV Excelsior se empenhavam
desesperadamente na busca de outra atriz mirim semelhante à protagonista
desaparecida. Depois de muito procurar, decidiram-se pela garota
goiana Marize Ney, parecida com Patrícia Aires, mas que tinha
três anos a mais do que ela - o que para uma criança
dava uma grande diferença. A solução do autor
da novela foi curiosa: ele apelou para um "três anos depois..." e
dali a novela continuou com seus mesmos dramas e personagens. E com
o mesmo sucesso - para desgosto da TV Record. Que pena, não?
Patrícia estava fazendo um trabalho tão bonito e foi
estragado por ganância. É isso gente.", Irene, pro e-mail
"Minha mãe sempre fala sobre esta novela
que ela adorava e que gostaria muito de saber sobre a atriz Patrícia
Aires. Como ela está agora, pois não encontrei nada na internet sobre
ela. Por favor se tiverem essa informação me passem.",
Jéssica, por e-mail
"Também gostaria muito de ter notícias e saber
onde posso encontrar fotos da Patricia Aires - a pequena orfã.",
Katia Lima, por e-mail
"Puxa vida... tenho 42 anos e ainda me lembro desta novela, pois
me emocionava demais com a Toquinho e a vida terrível que ela tinha.
Lembro também que a megera tomava conta de outras crianças maiores
do que ela. Só não me lembrava do nome da atriz Riva Nimitz; tanto
que para achar esta página, usei o nome da Patrícia Aires, que era
o único nome, junto ao de Dionísio Azevedo, que eu me lembrava. Que
emocionante... É verdade que Patrícia Aires deixou de trabalhar por
ter morrido?", Rosemary, por e-mail
"Como fala a Marlize, comentando sobre essa matéria: "É BOM RELEMBRAR
O TEMPO DE INFÂNCIA"... Concordo plenamente com éla... é como fechar
os olhos e voltar a um passado que se faz tão presente em nosso dia-a-dia.
Como ela, tenho curiosidade de saber notícias da Patrícia... da Suzy
Camacho,... da Elisa D`Agostiho... da Narjara Tureta... atrizes de
GRANDE TALENTO com belíssimos trabalhos na Tv brasileira. Não entendo
porque a Tv despreza talentos como esses. Lembro delas de forma carinhosa
e especial. Nos anos 70 cheguei áté a me corresponder com a Suzy,
Elisa e Narjara... hoje nada sei das mesmas, a não ser da Narjara,
pois tive o prazer de acompanhar uma pequena participação dela em
Páginas da Vida na TV Globo. Pena não terem valorizado mais o talento
dessa tão magnifica atriz brasileira... Sinto muita vontade de saber
notícias da Elisa, da Suzy... Será que vocês poderiam me ajudar. Fica
meu e-mail, seria muita felicidade se um dia acessasse o mesmo e me
deparasse com um e-mail de vocês, dando notícias das mesmas.
Com votos de sucesso, agradeço o belíssimo trabalho de vocês...
com a certeza de que em breve vocês farão mais uma pessoa FELIZ.",
José Benício (Dedé de PATROCINA), por e-mail
"Notícias que nos fazem voltar à infância são sempre bem recebidas.
Tenho 42 anos e fui apaixonada pela "Pequena Orfã". Belíssima notícia,
porém, se nos informassem por onde anda a Patrícia Aires seria muito
legal. Obrigadão! Marlize - Criciúma/ SC.", Marlize Argente Knabben,
por e-mail