(Atualizado no dia 27/10/2002)
 
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A Pequena Órfã, de 1968

Em 1968 estreava na TV Excelsior a novela A Pequena Órfã, de Teixeira Filho, no horário das 18h30. A trama girava em torno da doce menina Toquinho (Patrícia Aires, filha do ator Percy Aires), que foi abandonada pelos pais e, ainda por cima, acabava caindo nas garras da megera Dona Elza (Riva Nimitz). Ela só encontrava amparo e carinho nos braços do velho Gui (Dionísio Azevedo), que para alegrar o triste coração da menina cantava uma musiquinha. A letra era assim: "Mandei fazer um barquinho// de papel, de papelão// pra levar o meu benzinho// pra dentro do coração".

  Com isso o público, junto com a garota, se envolvia e se desfazia em lágrimas. A novela fez um grande sucesso na época. Anos mais tarde, depois da falência da Excelsior, a TV Globo reapresentou a novelinha e novamente agradou em cheio. Como todas as histórias exibidas nessa época, ela foi ao ar em preto-e-branco e teve alguns problemas com o elenco. Foi o caso de Patrícia Aires, que não foi até o final da trama, o que obrigou a produção a tomaruma atitude drástica para não ter que tirar a novela do ar. Na falta de uma menina de quatro anos, idade de Patrícia, que pudesse viver o papel, contrataram a jovem goiana Marize Ney, que era muito parecida com a intérprete anterior. Mas tinha um problema: a nova contratada era três anos mais velha...

  A solução encontrada pelo autor foi fazer uma rápida passagem de tempo. Então, três anos depois, a vidinha de Toquinho continuava como antes: órfã e sofrendo na mão da bruxa má. A atriz Nádia Lippi também interpretou a personagem, porém, já com 11 anos. Mesmo com todas as mudanças, o público permaneceu fiel à trama, criando um movimento em todas as emissoras que se sentiam abaladas pelo sucesso da concorrente. Afinal, sem querer desmerecer o texto de Teixeira Filho, criança na TV, no teatro, ou no cinema é sempre um sucesso. No elenco Hemílcio Fróes, Ruthinéa de Moraes, Rachel Martins, João José Pompeo, Arnaldo Weiss e Roberto Maya, entre outros.

Comentários dos Leitores

Só para tranquilizar: Patrícia Ayres não deixou de participar da novela por motivo de morte. Tanto assim que numa revista dedicada a adolecentes, cujo nome infelizmente não me lembro, mas que saiu no ano de 1978, tinha um artigo por título: " A pequena órfã - dez anos depois" E lá vinha uma entrevista com ela e fotos (ela continuava bonitinha!). Mas o pai dava toda a pinta de que não pretendia que a filha atuasse como atriz até que completasse seus estudos e ela própria dizia que aos dezesseis já não produziria o impacto que teve quando era menina. O motivo pelo qual ela não continuou na novela "oficialmente" foi que Percy Ayres considerou que certas cenas com a filha estavam muito brutas, sendo que numa delas, Patrícia acabou machucada e embora tenha sido contratado um trabalho de 4 horas por dia aos atores mirins, ela trabalhava 8. Se alguém notou algo estranho nessas justificativas, acertou. Afinal, com aquela audiência, Percy faria os donos da Excelsior comerem na sua mão. Era só questão de negociar a coisa. A verdade foi confessada por Paulo Machado de Carvalho, que está no livro Roberto Carlos em Detalhes: De fato, e há um outro episódio que ilustra bem como a direção da emissora não via limites quando o assunto era a briga pela audiência. Em julho de 1968, a TV Excelsior estreou no horário das seis horas a novela A pequena órfã, um dramalhão sobre uma criança desprezada pelos pais. Escrita por Teixeira Filho, a novela despontou com grande sucesso, incomodando bastante a TV Record. Aquele horário normalmente era dominado, pela Excelsior, mas a audiência de A pequena órfã estava extrapolando. Foi então que Paulinho de Carvalho decidiu jogar duro para não perder feio. A protagonista da novela era a menina Patrícia Aires, em seu primeiro trabalho na televisão e já conquistando grande simpatia do público. Paulinho Machado de Carvalho se reuniu então com os irmãos e disse que a solução seria justamente tirar aquela jovem atriz da novela, pois isto quebraria a história e a TV Excelsior perderia a audiência. Mas como fazer isto? O próprio ex-dono da Record relata: "Aí eu falei: só tem uma maneira, vamos sumir com essa menina, raptá-la. Chamamos o pai dela, o ator Percy Aires, que era meio malandro também, e lhe oferecemos algum dinheiro. Ele aceitou e nós sumimos com a menina". A produção da novela entrou em polvorosa porque a atriz desapareceu das gravações sem dar qualquer explicação. Nem ela nem seus pais foram localizados pela TV Excelsior. "Mandamos a menina e os pais para Buenos Aires", entrega-se Paulinho Machado de Carvalho. Nas duas primeiras semanas, a novela se arrastou sem a sua atriz principal. Enquanto isso, os dirigentes da TV Excelsior se empenhavam desesperadamente na busca de outra atriz mirim semelhante à protagonista desaparecida. Depois de muito procurar, decidiram-se pela garota goiana Marize Ney, parecida com Patrícia Aires, mas que tinha três anos a mais do que ela - o que para uma criança dava uma grande diferença. A solução do autor da novela foi curiosa: ele apelou para um "três anos depois..." e dali a novela continuou com seus mesmos dramas e personagens. E com o mesmo sucesso - para desgosto da TV Record. Que pena, não? Patrícia estava fazendo um trabalho tão bonito e foi estragado por ganância. É isso gente.", Irene, pro e-mail

"Minha mãe sempre fala sobre esta novela que ela adorava e que gostaria muito de saber sobre a atriz Patrícia Aires. Como ela está agora, pois não encontrei nada na internet sobre ela. Por favor se tiverem essa informação me passem.", Jéssica, por e-mail

"Também gostaria muito de ter notícias e saber onde posso encontrar fotos da Patricia Aires - a pequena orfã.", Katia Lima, por e-mail

"Puxa vida... tenho 42 anos e ainda me lembro desta novela, pois me emocionava demais com a Toquinho e a vida terrível que ela tinha. Lembro também que a megera tomava conta de outras crianças maiores do que ela. Só não me lembrava do nome da atriz Riva Nimitz; tanto que para achar esta página, usei o nome da Patrícia Aires, que era o único nome, junto ao de Dionísio Azevedo, que eu me lembrava. Que emocionante... É verdade que Patrícia Aires deixou de trabalhar por ter morrido?", Rosemary, por e-mail

"Como fala a Marlize, comentando sobre essa matéria: "É BOM RELEMBRAR O TEMPO DE INFÂNCIA"... Concordo plenamente com éla... é como fechar os olhos e voltar a um passado que se faz tão presente em nosso dia-a-dia. Como ela, tenho curiosidade de saber notícias da Patrícia... da Suzy Camacho,... da Elisa D`Agostiho... da Narjara Tureta... atrizes de GRANDE TALENTO com belíssimos trabalhos na Tv brasileira. Não entendo porque a Tv despreza talentos como esses. Lembro delas de forma carinhosa e especial. Nos anos 70 cheguei áté a me corresponder com a Suzy, Elisa e Narjara... hoje nada sei das mesmas, a não ser da Narjara, pois tive o prazer de acompanhar uma pequena participação dela em Páginas da Vida na TV Globo. Pena não terem valorizado mais o talento dessa tão magnifica atriz brasileira... Sinto muita vontade de saber notícias da Elisa, da Suzy... Será que vocês poderiam me ajudar. Fica meu e-mail, seria muita felicidade se um dia acessasse o mesmo e me deparasse com um e-mail de vocês, dando notícias das mesmas. Com votos de sucesso, agradeço o belíssimo trabalho de vocês... com a certeza de que em breve vocês farão mais uma pessoa FELIZ.", José Benício (Dedé de PATROCINA), por e-mail

"Notícias que nos fazem voltar à infância são sempre bem recebidas. Tenho 42 anos e fui apaixonada pela "Pequena Orfã". Belíssima notícia, porém, se nos informassem por onde anda a Patrícia Aires seria muito legal. Obrigadão! Marlize - Criciúma/ SC.", Marlize Argente Knabben, por e-mail








 

 
 
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