Financiamentos da CEF também beneficiam estrangeiros, desde que tenham visto permanente
Ana Braga
DA EQUIPE DO DIARIO
O deslumbre pelo Brasil das praias, do povo extrovertido e, claro, da moeda acessível é tanto, que vários estrangeiros investem na compra de imóveis no País. Em alguns mercados, eles dividem meio a meio com os brasileiros a demanda. Para alegria dos proprietários e agentes imobiliários, a maioria dos gringos fazem negócios em cash. Alguns até recorrem às linhas de financiamento. O uso do imóvel tanto pode ser residencial, quanto comercial.
O alemão Wolfgan Belhe vem freqüentemente ao Brasil para tocar a reforma de uma casa na Cidade Alta de Olinda. O imóvel foi comprado há mais de dois anos por dois outros alemães. Todos moram na Alemanha. "O negócio teve a orientação de um advogado especialista no assunto. Passamos quase cinco meses para deixar tudo certo", lembra Wolfgan. A proposta de uso da casa é comercial. No início do próximo mês, os três devem inaugurar a Jardim do Bonfim, pizzaria e restaurante.
Na Cidade Alta de Olinda está um dos mercados mais explorados pelos estrangeiros. "São os alemães, italianos e franceses que mais compram. Em geral, o fazem depois que visitaram a cidade ou por recomendação de algum conhecido. Poucos fixam residência. Quando não abrem um negócio, mantêm o imóvel para temporadas de verão e Carnaval", conta o corretor Eduardo Moraes. "Eles pagam, na maioria das vezes, em cash e não são exigentes. Alguns até gostam de imóveis mais velhos porque podem reformar como querem", afirma.
Já o destino do consultor francês Gilles Vernette foi a praia Porto de Galinhas. "Não tenho esposa nem filhos. Passo cinco meses no Brasil e o resto na França, trabalhando. Comprei uma casa aqui porque a longo prazo acho que gastaria muito mais com hospedagem e aluguel. Também foi bom para receber minha família e amigos franceses", conta Gilles, que vem tentando convencer outros dois conterrâneos a fazerem o mesmo.
CADASTRO - O advogado Skard Johannes Toroxel observa que qualquer estrangeiro pode colocar o bem imóvel em nome próprio, desde que possua Cadastro de Pessoa Física (CPF). "Também é necessário que o adquirinte tire Certidão de Propriedade e Ônus no Cartório de Registro de Imóveis, as certidões negativas da Prefeitura e Marinha e confira as taxas, como energia, água e IPTU", orienta o advogado. Ekard é alemão e reside em Olinda há oito anos.
De acordo com o superintendente de negócios do escritório do Recife da Caixa Econômica Federal, Ronaldo Roggini, as linhas de financiamento habitacional oferecidas pela instituição também podem beneficiar estrangeiros. "Além da documentação tradicional e conta poupança para a parte não financiada, que são requisitos para qualquer um, ele deve ter visto permanente", explica Roggini. "A demanda para esse público, entretanto, é pequena. Acredito que a maioria dos estrangeiros possuem visto de turista", justifica.