Eficiência na marcação, habilidade na saída de bola e velocidade nos momentos em que puxa os contra-ataques do Santa Cruz. Essas características fizeram do volante Juliano o verdadeiro pulmão coral. Escalado para o clássico diante do Náutico, hoje à noite, nos Aflitos, não é a primeira vez que o atleta defende a camisa tricolor em um Clássico das Emoções.
Este ano, ele já passou pelo clube durante o segundo turno Campeonato Pernambucano. No entanto, Juliano não guarda boas lembranças do Estadual 2002. Foi justamente em um jogo frente ao alvirrubro, nos Aflitos, que o Santa Cruz perdeu por 3 x 0, determinando a conquista do título pelo Timbu, mesmo com a equipe coral vencendo por 2 x 1 o segundo jogo, no Arruda.
O semestre acabou e o meio-campista voltou para seu clube de origem: o Palmeiras. Mesmo com o Santa Cruz tendo interesse em seu retorno, o jogador preferiu ficar no Verdão e disputar a Série A. Com os seguidos insucessos da equipe na divisão de elite e a saída do técnico Murtosa, Juliano acabou não figurando nos planos do técnico Levir Culpi. "Acho que pela situação do Palmeiras, Levir quis manter um grupo mais experiente e fui liberado", disse o jogador, que tem apenas 21 anos.
Mesmo assim, o retorno para o Arruda ainda demorou um pouco. O Náutico entrou na parada para tê-lo nas disputas da Série B, mas foi mesmo o Santa Cruz que conseguiu trazê-lo de volta ao Recife. Por coincidência ou não, após a sua estréia no jogo com o Botafogo/SP, em Ribeirão Preto, o Santa Cruz cresceu de produção e atualmente comemora a boa fase e a sexta colocação na Segundona, com 37 pontos.
Por ironia, para assegurar a classificação na competição, o Santa Cruz de Juliano terá pela frente mais uma vez o velho rival. Questionado se o Náutico é uma pedra no sapato coral e se há algum clima de revanche, Juliano foi taxativo: "Não vejo desta forma. É um outro campeonato, a gente está vivendo um grande momento e não existe clima algum de querer dar troco por causa do título Estadual perdido. Queremos muito esses três pontos para ficarmos com a classificação praticamente assegurada", frisou.
Juliano também confirmou que o Náutico quis contratá-lo para as disputas da Série B. De acordo com ele, o fato de já conhecer o Santa Cruz e o trabalho do técnico Heron Ferreira foram fundamentais para a volta ao tricolor. "A minha adaptação aqui no clube foi uma surpresa para mim. Conquistei muitas coisas boas como o carinho da torcida e a confiança do treinador. Foi muito bom ter saído do Palmeiras onde cheguei, em 98, e respirar ares que me fizeram muito bem aqui no Recife. Por isso voltei", avaliou, falando sobre as diferenças da equipe do primeiro semestre e atual. "A primeira tinha jogadores mais experientes e essa jogadores jovens, no qual me incluo, querendo aparecer no cenário nacional".