SÃO PAULO - Em uma clara reversão de tendência, o dólar encerra o mês da eleição presidencial - em que superou a barreira inédita dos R$ 4 - em baixa de 3,45%. No dia, a moeda norte-americana caiu 2,41%, fechando a R$ 3,63 para venda e R$ 3,625 para compra. Já o risco-país brasileiro caiu 3,02% e opera a 1.729 pontos - o que significa que o risco despencou 668 pontos no mês, ou 28%.
Do nervosismo preventivo com a transição presidencial que vigorava há quatro semanas, os investidores passaram às expectativas otimistas com o novo governo, percepção que cresceu com a série de declarações feitas nos últimos dias pelo PT no sentido de manter os compromissos fiscais e externos do País e as rédeas da inflação e com as declarações positivas feitas pela atual equipe econômica. Ontem, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, declarou que "Lula e sua equipe têm deixado claro quer não só vão preservar como aperfeiçoar o que já foi construído".
Fica cada vez mais evidente, também, a aposta na melhora do desempenho dos ativos do País. Ontem o BC fez duas operações para renovar linhas externas que vencem na próxima semana, e de uma para outra a taxa do dólar para recompra em janeiro caiu drasticamente. A renovação dos US$ 400 milhões em linhas - US$ 200 milhões foram vendidos anteontem e US$ 200 milhões, ontem - também ajudou a tornar o fluxo positivo.
Outro ponto positivo foi a a rolagem, nos dois últimos dias, de toda uma dívida cambial que vence hoje - definida pelo BC como "a mais tranqüila dos últimos tempos". Com o alongamento total de US$ 2 bilhões, diminuiu a pressão vista sobre o dólar nos últimos dias. Tantas notícias positivas levaram empresas e bancos ontem a ajustarem suas posições para novembro vendendo dólares, o que sustentou a desvalorização mensal da moeda norte-americana.
O índice Bovespa fechou em alta de 0,98%, aos 10.167 pontos. Com o resultado, encerra outubro com ganhos de 17,9%, o melhor desempenho desde dezembro de 1999, quando acumulou valorização de 24,04%.
Para o chefe de renda variável do Lloyds TSB, Pedro Thomazoni, o principal fator para a recuperação da Bolsa em outubro foi a correção dos exageros do mercado em relação ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. "O mercado viu que Lula eleito não é tão radical e que merece um mínimo de credibilidade", afirma Thomazoni.