BRASÍLIA - O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA) disse que a bancada tucana vai defender o valor de R$ 240 para o salário mínimo, a partir de abril de 2003. "Nós não votaremos nunca um salário mínimo abaixo de R$ 240", afirmou o líder, deixando claro que a posição do PSDB é retomar o valor aprovado na discussão da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que contou com o apoio do PT. "O PT estava à frente das pesquisas eleitorais e defendeu o salário de 240. Lula ganhou a eleição e cabe agora ao PT cumprir o que foi estabelecido", disse.
Segundo o deputado, o PT tem o poder de mudar o orçamento e tem possibilidade técnica de alterá-lo, fazendo remanejamento de recursos para viabilizar um salário mínimo além dos R$ 211 previstos no projeto enviado ao Congresso. Ele ressaltou que o PSDB não quer com essa posição prejudicar o futuro governo, mas que "cabe ao PT apresentar as mudanças que julgar necessárias. O líder do PSDB disse também que pedirá informações ao PT para saber quais os motivos que levamas principais lideranças petistas a defender a manutenção da alíquota de 27,5% do Impostos de Renda da Pessoa Física, que cairia agora, em dezembro. "Por que o PT quer agora esta alíquota, depois de ter votado contra, no passado. Estamos aguar dando argumentos que nos convençam dessa mudança de posição".
O secretário-geral do PT, Luiz Soares Dulci, disse que o futuro governo vai propor um salário mínimo "realisticamente possível, dentro das disponibilidades financeiras do País". "Todo o Brasil sabe que o País enfrenta uma crise financeira, tem um potencial econômico enorme, a crise será superada, mas ela existe. A população sabe disso, não tem expectativas românticas ou ilusórias sobre o atual contexto. E o compromisso de Lula (presidente eleito) com o salário mínimo foi o de dobrar o seu valor ao longo de quatro anos de governo, sem fazer nenhuma aventura irrealista", disse Dulci.
Para obter apoio nesta e em outras propostas, o PT, segundo Dulci, pretende construir uma base parlamentar permanentecomposta pelos partidos que acompanharam Luiz Inácio Lula da Silva durante toda a campanha eleitoral e também por parlamentares de outros partidos, "que em função da crise e da esperança que o projeto Lula desperta poderão se incorporar a nós".