"Espero uma relação boa com o MST"
Cotado para assumir a Secretaria Nacional da Emergência Social, o economista José Graziano da Silva avisa que as metas de assentamento, do novo governo, serão definidas com o Movimento dos Sem-Terra (MST).
P - Como será a relação do PT com o MST?
José Graziano da Silva - Espero que sejam boas. Há intenção do governo de fazer a reforma agrária, é uma das prioridades. Do ponto de vista programático, estamos do mesmo lado. Mas precisamos sentar e conversar. A proposta que foi aprovada é usar estes dois meses de transição para detalhar o plano de reforma agrária. Há uma disparidade tão grande de informações sobre os números de assentados pelo governo, e recursos disponíveis, que não valeria a pena definir metas. Isso vai ser feito agora, nos próximos 60 dias.
P - Mas não haverá uma meta?
JGS - Tendo um plano de trabalho é preciso uma meta. Inclusive uma meta regionalizada, mas nada está definido ainda.
P - O MST será chamado para conversar?
JGS - Sem dúvida. É um compromisso assumido publicamente peloLula.
P - Haverá fusão dos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário?
JGS - No momento isso não é cogitado. Fizemos um programa único de agricultura e reforma agrária. A separação do Ministério de Desenvolvimento Agrário e da Agricultura ocorreu por causa do excesso de atribuições das quais o ministro tinha de se encarregar para executar o plano de reforma agrária. Se isso não tiver mais razão de ser, pode-se voltar a discutir a junção dessas instituições.