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Renan aposta no entendimento
PEEMEDEBISTA
BRASÍLIA - Depois de anunciar a disposição do PMDB de ajudar o presidente eleito do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, a garantir a governabilidade, o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), apresenta, na próxima semana, uma proposta concreta que possa dar início à "agenda do entendimento". No embalo do discurso petista de prioridade total ao combate à fome, Renan vai propor a isenção de impostos (IPI e ICMS) para produtos da cesta básica, como alternativa para aumentar o poder de compra do salário-mínimo sem onerar a Previdência Social. Mas a aproximação com o PT ainda não é consensual no partido que apoiou a candidatura do tucano José Serra até domingo passado.
O projeto de Renan é estratégico e tem dupla serventia: criar um canal de diálogo com o novo Governo e reaproximar o partido da sociedade, com bandeiras sociais que tenham impacto direto na vida do povo. "Nosso partido tem procurado evoluir da defesa dos direitos civis, bandeira do PMDB nos tempos da redemocratização, para a garantia dos direitos sociais", justifica Renan.
Mas o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP), trata logo de corrigir: "Não se trata de uma agenda de entendimento, até porque o PT não nos procurou para conversar. Isto é o exercício da oposição propositiva ao novo Governo", afirmou. "A idéia é assegurarmos a governabilidade e não aderirmos ao Governo. Aliança nós fizemos no passado", completa Temer, que procurou os cinco governadores eleitos pelo PMDB (PE, SC, RS, DF e PR) para convidá-los a se reunirem com a executiva nacional na terça-feira, em Brasília.
A reunião foi convocada para traçar os rumos do partido, mas bastou a preliminar com os governadores para Temer concluir que o clima não é favorável à participação do novo governo, e sim de dar uma ajuda. "Não queremos nem ouvir falar de cargos. Apenas o PMDB não aceita ser responsabilizado por colocar dificuldades no caminho do novo Governo", justifica o líder Renan.
Na avaliação de Temer, o projeto da isenção de impostos para produtos da cesta básica pode ser o começo da ajuda do PMDB. O deputado lembrou que foi ele quem conduziu a reforma tributária, além de ter sido o relator da reforma da Previdência. "Só não consegui aprovar uma reforma moderna porque houve uma oposição acirrada. Saiu um arremedo de reforma, mas se o PT quiser retomar o assunto, é claro que iremos apoiar", disse Temer.
Em seu discurso, Renan vai apresentar os estudos realizados pela assessoria do partido, mostrando que a incidência de impostos sobre alimentos em outros países é muito inferior às taxas praticadas no Brasil. Os estudos apontam para um aumento de 20% no poder de compra do salário mínimo, caso a isenção seja aprovada.
Se o Governo petista quiser, o projeto poderá vir no contexto de uma mini-reforma tributária. Ontem, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) reiterou a sugestão feita a Lula, ainda no início da campanha, quando jantaram em sua casa: de propor ao Congresso uma "reforma básica" nos seis primeiros meses de Governo.
Recém eleito governador do Paraná, o senador Roberto Requião subiu à tribuna ontem para pedir a renúncia da cúpula do PMDB e a convocação de uma convenção nacional para decidir os rumos que o partido deve tomar no Governo Lula. Requião disse que a executiva não tem legitimidade para conversar com os cinco governadores eleitos.
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