Edição de Sexta-Feira, 1 de Novembro de 2002
 

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PFL vai fazer "oposição responsável"

Nota do partido afirma que promessas de campanha serão cobradas ao futuro presidente

BRASÍLIA - A Executiva nacional do PFL oficializou ontem a passagem para a oposição ao futuro Governo Luiz Inácio Lula da Silva com a divulgação de uma nota concisa, que deixa claro o novo rumo: agir na oposição de forma "responsável e fiscalizadora", defender as reformas e o programa do partido e cobrar as promessas de campanha do candidato vitorioso. E os integrantes da cúpula pefelista deram um conselho ao PT: o primeiro ano de Governo deve ser de mão fechada, o partido apóia medidas de corte de gastos, mas aumento de impostos não.

  Assinada pelo presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), o documento foi aprovado pela comissão executiva de manhã. A redação final teve a participação de toda a cúpula, reunida na noite de anteontem no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Marco Maciel. Diplomático, o partido cumprimenta Lula pela "legítima e democrática" vitória e afirma que o pronunciamento feito na última terça-feira pelo presidente eleito representa um "compromisso solene" que deverá ser acompanhado. "Essa é uma tomada de posição, uma bússola que o partido dá a seus filiados", disse Bornhausen.

  A decisão do PFL representa uma tentativa dos dirigentes de recuperar a identidade do partido, que naufragou nas apostas feitas na eleição presidencial - primeiro, Roseana Sarney e, depois, Ciro Gomes. Nessa nova etapa, a ordem é valorizar e defender o programa partidário e valer-se do poder no Parlamento, onde elegeu bancadas expressivas: será a segunda força da Câmara, atrás do PT, e, no Senado, empata com o PMDB, com 19 senadores em 2003.

  São números que garantem ao partido papel fundamental em qualquer votação. "Talvez a mais importante manifestação da reunião de hoje (ontem) tenha sido a da unidade. Um verdadeiro partido político se caracteriza pelo alto nível de coesão interna, obviamente após debates", comemorou Marco Maciel, refletindo as preocupações da cúpula.

posição - Bornhausen começou a desenhar esse perfil ontem mesmo. No momento de apreciar o projeto orçamentário, porexemplo, a orientação é analisar cada proposta do PT, mas partindo de uma premissa: para adaptar as despesas à arrecadação, o corte de gastos é sempre preferível à elevação dos tributos.

  "Aumentar imposto significa transferir o problema para a sociedade produtiva. Cortar significa ação governamental produtiva", observou o presidente do PFL.

Os primeiros passos do PFL oposicionista poderão ser medidos em decisões como o reajuste do salário mínimo e a proposta de manutenção da alíquota do Imposto de Renda da Pessoa Física de 27,5% em 2003. O partido tende a apoiar um mínimo de R$ 240, proposta vetada pelo presidente Fernando Henrique na Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas pode propor um valor maior, chegando a R$ 250 ou R$ 260, como já anunciou o senador eleito Antonio Carlos Magalhães (BA).

  Na ocasião da apreciação do veto presidencial vamos nos manifestar. A posição do PFL talvez seja de um salário mínimo maior", disse Bornhausen. "O PT não vai abandonar uma tese que defendeu comigo e que também é minha.Se o salário mínimo poderia aumentar no Governo Fernando Henrique, porque não no Governo Lula?", provocou o senador baiano.

  Na hora de mexer no Imposto de Renda, no entanto, o partido aproveita para treinar o novo discurso. Vai seguir o programa e defender outras alternativas para a obtenção de receitas que banquem as prioridades da administração petista.

  "A oposição responsável não pode ser a oposição do não. A cada solução não aceita por nós, devemos apresentar uma proposta. Se somos contra a alíquota de 27,5% para o Imposto de Renda, temos de dizer onde cortar: diminuir ministérios, autarquias, sociedades de economia mista, cargos em comissão. Diárias e passagens não devem ser usadas, a não ser quando necessário. E não é preciso verbas publicitárias, a não ser em editais", explicitou o senador.

  O ponto de partida para o PFL em 2003 será o discurso feito por Lula na terça-feira passada. Os compromissos que assumiu com as reformas, com a responsabilidade fiscal, de não permitir a volta da inflação, de exercer a soberania nas negociações internacionais serão cobrados pelo partido. "Quem faz oposição responsável deve vigiar para que esses compromissos sejam cumpridos. Jamais faremos oposição rancorosa", avaliou Bornhausen.

Comentários dos leitores

"Por que voces não fizeram oposição durante todos esses anos, a essa corrupção que aí se encontra, por que não fizeram oposição as mordomias que voces tem o privilégio de ter...não consigo entender, é tão fácil fazer esse tipo de opsosição barata...precisamos nos unir, políticos do meu Brasil, a fome doi, doi não só no estomago, mas, doi na dignidade do homem, voces nunca pensaram nisso, e agora, querem fiscalizar... fiscalizar o que???", MVania, por e-mail.

"Me surpreende, cada vez mais o cinismo e hipocrisia do pessoal do PFL. A meu ver, nunca colaboraram com nada de significativo para o povo, mas sim para as elites, e agora querem dar uma de bonzinhos?!", Marcelo Ramos de Oliveira Jr., por e-mail.








 

 
 
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