RIO - Pesquisa feita pelo Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro mostra que 966 cientistas brasileiros foram trabalhar no Exterior, 60% dos quais nos Estados Unidos ou no Canadá.
Dirigido pelo médico Reinaldo Guimarães, é o primeiro levantamento feito desde os anos 70. Isso significa que, a cada ano, 138 pesquisadores - em média, 11,5 por mês - resolveram deixar o País.
Segundo os cálculos de Guimarães, que também é presidente do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio, essa transferência causou um prejuízo de U$$ 100 milhões ao Brasil.
De acordo com seus cálculos, a formação de um doutor custa, em gastos diretos - como bolsas, por exemplo - US$ 20 mil. "Somando-se os custos indiretos estimados, como salários de professores, custeio e infra-estrutura de pesquisa, o investimento total deve chegar a US$ 100 mil", disse o médico.
Ele fez o levantamento por meio de questionários, enviados a 2.769 líderes de grupos de pesquisa de todas as áreas do conhecimento. Eles informaram sobre o afastamento de pesquisadores de seus grupos.
Entre outros dados, o médico procurou saber o motivo da transferência (se a trabalho ou para complementar a formação) e o destino (o país estrangeiro ou outro Estado do Brasil). Depois, esses resultados foram projetados para os 10.055 grupos de pesquisa do País.
Em relação à migração interna, a pesquisa constatou que 2.316 cientistas mudaram de Estado. Desses, 1.790 se transferiram por motivo de trabalho e 526 para complementar sua formação.
Embora a migração de 966 cientistas para o Exterior possa parecer pequena diante dos 18.180 doutores formados no Brasil no mesmo período, ela, na verdade, revela uma tendência.
"Nessa questão, o Brasil pode estar passando de uma situação de não-problema para tornar-se um problema", avaliou. "O que é certo é que as migrações, interna e externa, de pesquisadores são um fenômeno novo e complexo, que os poucos estudos ainda não explicam", concluiu o médico.