Criação de cooperativas tem sido a saída para muitos profissionais que querem retornar ao mercado
Roberto Cavalcanti
Da equipe do DIARIO
Longe da apatia e da falta de perspectiva que parece tomar conta de grande parte dos desempregados brasileiros, algumas categorias profissionais têm reagido às dificuldades e recorrido à formação de cooperativas como um mecanismo rápido e eficiente de reingresso ao mercado de trabalho. Só em Pernambuco, elas já somam mais de 490 empresas, congregando mais de 150 mil trabalhadores. O crescimento anual desse tipo de organização, na qual cada um dos integrantes tem participação ativa nos lucros, está estimado em 40% e vem despertando cada vez mais interesse. Frentistas, auxiliares de serviços gerais, motoristas, e mecânicos já aderiram ao sistema e começam a estabelecer uma nova relação trabalhista, que favorece tanto empregadores como empregados.
As chamadas cooperativas de trabalho, que reúnem profissionais de habilidades específicas, são as que mais têm crescido nos últimos dois anos. De acordo com o presidente do Sindicato das Cooperativas do Estado de Pernambuco (Ocep), Malaquias Ancelmo de Oliveira, este tipo de mecanismo não tem como objetivo suprimir as relações trabalhistas estabelecidas pela CLT, mas garantir que algo em torno de 25 milhões de profissionais saiam da informalidade. "O sistema cooperativo surge como uma alternativa de contratação frente a um mercado retraído e marcado por alta carga tributaria", afirma.
Formada há dois anos, a Cooperativa dos Frentistas de Pernambuco (Coopfren) conta, hoje, com mais de setenta associados, 12 dos quais já reintegrados ao mercado. No mês de novembro, 24 profissionais devem voltar a ativa, após a conclusão dos cursos de Atendimento ao Cliente, Técnicas de Vendas e Merchandising. Segundo a presidente da Coopfren, Telma Andrade, além de facilitar a volta desses trabalhadores ao mercado, a cooperativa promove cursos de reciclagem, oferecendo profissionais mais preparados e com um menor peso na carga tributária.
OPORTUNIDADE - Recém-absorvida por uma cadeia de postos de combustíveis, a frentista Vanessa Beatriz Melo, de 21 anos, diz que o ingresso no sistemacooperativo foi fundamental para sua volta ao mercado de trabalho. Segundo ela, que passou dois anos desempregada, além do retorno rápido, a cooperativa proporcionou o seu aperfeiçoamento no atendimento ao público por meio de cursos, o que lhe conferiu um diferencial qualificativo. "A iniciativa tem sido bastante válida e, como eu, muitos outros frentistas têm conseguido voltar a ativa. Até mesmo pessoas que trabalhavam em outras áreas têm conquistado uma oportunidade, mostrando que com força de vontade e criatividade é possível vencer o desemprego", acentua.
A consultora do Sebrae-PE, Jussara Leite, explica que o volume de pessoas que buscam orientação para a formação de cooperativas vem crescendo proporcionalmente aos índices de desemprego. Ela argumenta que o universo de trabalhadores que vem aderindo ao cooperativismo é heterogênio e reúne, além de profissionais de nível superior, principalmente médicos, professores e consultores administrativos e financeiros, categorias de nível médio e elementar. "Avantagem é que o sistema permite que o empregado passe à posição de empresário, com as rédias do negócio e buscando soluções criativas para a manutenção da empregabilidade", salienta.
Serviço
Ocepe - 3271..2672
Sebrae-PE - 32278420
Coopfren - 34941865